Ceni simboliza como o SPFC é mal conduzido

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Insucesso de Rogério deixa claro: não se pode queimar etapas

Eis que aconteceu o inevitável: após mais uma derrota no Brasileirão, que culminou com a entrada são-paulina na zona de rebaixamento pela primeira vez desde 2013, Rogério Ceni disse adeus ao posto de técnico do Tricolor.

Vamos aos fatos: Rogério Ceni foi uma aposta errada. Quando foi anunciado, no final do ano passado, foi quase unânime a opinião de que aquele não era o momento para isso. O Mito estava queimando etapa, assumindo a equipe principal sem nunca ter sequer tido a experiência de compor uma comissão técnica na vida. Por mais que tivesse feito cursos ao longo de 2016, existem coisas que só se aprendem na prática, no dia-a-dia. E foi exatamente isso que minou seu trabalho, já que se demonstrou quase o tempo todo perdido, sem conseguir criar um padrão de jogo, sem saber como orientar as peças que tinha em mãos. Falando em português claro, o time do São Paulo está mal treinado, pelo simples fato de que Rogério Ceni ainda não aprendeu a treinar. Esse é o custo de se queimar etapas: quando se chega ao posto máximo, lhe são exigidas tarefas que você deveria ter aprendido anteriormente, mas não o fez. A culpa disso é dele próprio, por ter aceitado, e, principalmente, do presidente Leco, por razões óbvias.

Por tudo isso, a saída do Mito foi um mal necessário, pelo bem de todos. O que o São Paulo fará agora? Provavelmente, contratar Dorival, para demití-lo em no máximo um ano e continuar com esse rodízio de técnicos que virou a marca do Morumbi. É bem verdade que desde a saída de Telê Santana, ao final de 1995, apenas Muricy Ramalho conseguiu permanecer mais de um ano no cargo (de 2006 a 2009 e de 2013 a 2015), mas o rodízio que se vê nesta década é assombroso, especialmente nos últimos dois anos. E com a diretoria que aí está, não há como esperar mudanças.

O que Rogério Ceni fará, é uma enorme dúvida. Quando decidiu ser técnico, será que ele se preparou para uma carreira, o que fatalmente incluiria passagens por outros clubes, ou suas ambições se resumiam apenas ao Tricolor? Tudo depende dessa resposta. Caso opte por seguir em frente, que siga os passos de Muricy, que saiu, rodou, se tornou grande e retornou para viver o auge, exatamente na sua casa. Se em algum momento tiver que estar no vestiário de visitantes no Morumbi, não é o ideal, mas seriam as dores do crescimento. O importante é evoluir e voltar pronto para continuar sua trajetória mitológica.

E, à despeito do que muitos estão questionando, a imagem de Rogério Ceni continua imaculada. Foi uma experiência que deu errado, graças à pressa que o fez aceitar esse desafio quando ainda não estava pronto para tal. Mas nada que seja capaz de mudar a idolatria pelo Mito. Rogério Ceni é sinônimo de São Paulo Futebol Clube e nada será capaz de mudar isso.

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