A hora é de apoiar

0
1483
Torcida do São Paulo, recepcionando o time, na entrada do estádio do Morumbi (Foto: saopaulofc.net)

O momento atual do São Paulo é terrível. Três eliminações seguidas na Copa do Brasil, Paulistão e Copa Sul-Americana, as quais colocaram em xeque o trabalho de Rogério Ceni e provocaram um questionamento sobre a qualidade técnica desse elenco, que no inicio do ano era visto como um dos melhores do país.

É muito difícil pedir à torcida uma análise fria e sensata do trabalho feito até este mês. O torcedor, de uma maneira geral, é muito passional, o que é absolutamente normal. Mas algumas questões devem ser mencionadas para ajudar a aflorar a parte racional. As eliminações do Paulistão e, principalmente, da Copa do Brasil, aconteceram para times melhores que o Tricolor, seja individual ou coletivamente. Já na Copa Sul-Americana, essa desclassificação, sim, dá para dizer que foi um vexame. Não só pela inferioridade do adversário em termos de elenco, de história e de tradição, mas também pelo longo período que a equipe ficou apenas treinando e não conseguiu evoluir nada na parte tática, permanecendo com dificuldade de furar times que jogam extremamente retrancados. Há ainda a questão da implantação do sistema de jogo de Rogério Ceni. Esse modelo, o de apresentar um futebol vistoso, mantendo a posse de bola, trocando muitos passes e agredindo o adversário o tempo todo de jogo, exige uma dedicação de todo o time. A defesa joga com a linha avançada, para ficar mais próxima do meio-campo e sufocar o adversário. O meio-campo e o ataque, diante disto, precisam recompor com rapidez e agilidade, para que a defesa não fique exposta. E, por muitas vezes, nos deparamos com jogadores de frente parando nas jogadas, apenas aguardando que, por alguma sorte, a bola simplesmente volte ao seu pé, como em um toque de mágica. A indisciplina tática e a falta de concentração presentes em larga escala nesta equipe são os maiores problemas que o nosso técnico tem encontrado, e seu dever é solucioná-los o mais rápido possível, junto com a comissão técnica.

O desafio era grandioso desde o começo. Todos tinham noção disso. Uma nova maneira de jogar, um treinador inteligente, mas sem experiência na prática, e um elenco recheado de peças novas. Todos esses ingredientes juntos só aumentaram o grau de dificuldade do trabalho a ser executado. É muito difícil exigir paciência neste momento, muito mesmo. Mas o trabalho ainda não completou cinco meses. Ele está apenas no inicio. Todos possuem responsabilidade pela ausência de bons resultados, portanto, não é justo que apenas uma pessoa pague por isso. Alias, seja no São Paulo, no Palmeiras, no Sport ou em qualquer outra equipe do Brasil, quem sempre paga o pato pelos tropeços é o treinador, e isso tem que acabar. Deve haver mais respeito com o profissional que está à beira do gramado e mais paciência para ele, sobretudo o que tem menos experiência, demonstrar seu potencial. É complicado, mas não podemos ser imediatistas e a paciência se faz necessária.

A hora é de apoiar.

Vamos, São Paulo!

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA