Dirigentes tentam se mexer na catacumba do futebol paulista

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Imagina o Morumbi assim, como na final do Brasileiro de 1981? Muitos só conhecem por fotos (Foto: Gazeta Press)

Bandeiras, faixas, fumaças, cerveja, ruas fechadas e torcida única. O futebol paulista e suas proibições continuam enterrando esse esporte do estado em uma cova bastante funda. As medidas do Ministério Público, aliadas às federações, seguem tomando conta dos estádios e os principais clubes se mostram coniventes com as atitudes.

Nesta terça-feira (11), os dirigentes dos quatro semifinalistas do Campeonato Paulista estavam presentes em uma reunião para definir os horários das partidas da fase a seguir do torneio. Jogos marcados e, ao final da reunião, os presidentes de São Paulo e Corinthians, rivais nos encontros dos próximos domingos, fizeram um pronunciamento que chamou a atenção.

Ambos, Leco e Roberto de Andrade, se colocaram a favor dos Majestosos serem realizados com duas torcidas no estádio. Foi falado até de estádio dividido, mas isso está muito distante da nossa realidade. Então, os dois frisaram que reservar um espaço de 10% da ocupação total do estádio para a torcida visitante seria benéfico para o confronto que decide um dos finalistas do estadual.

Não se pode ignorar que a inércia tomou conta até agora dos principais dirigentes dos clubes, mas um posicionamento contra as medidas impostas é um caso inédito em São Paulo desde a última proibição. Aparentemente existe um avanço. O problema é a força como isso está sendo tratado. Não parece haver muita intensidade para superar os argumentos dos órgãos públicos, que continuarão com o discurso que a violência está diminuindo, sem realmente enfrentar o problema.

Assim, quem perde é o espetáculo e quem faz parte dele, a torcida. Colocar a cara não basta aos clubes, é preciso pressionar para que possamos frequentar os clássicos fora do Morumbi e tenhamos visitantes em nossa casa nos grandes jogos. O túmulo parece bastante fundo e coberto com muita terra nos estádios de São Paulo, mas se os clubes realmente se interessarem em mudar isso, serão fundamentais pra resgatar a festa do futebol.

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