São Paulo não pode duvidar do modelo de jogo e de si mesmo

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Os últimos jogos do São Paulo foram bem diferentes daqueles que vimos em fevereiro. Março trouxe uma nova meta ao Tricolor, algo que tem sido cobrado desde quando a equipe estreou na temporada: equilíbrio. A busca natural pela segurança defensiva não tem sido muito bem trabalhada pelo grupo. Percebo que, hoje, boa parte dos atletas já começou a fazer confusão mental e duvidar sobre qual é o real objetivo do modelo de jogo do time.

Isso não é uma crítica negativa, apesar de eu ter certeza absoluta de que muitos que estão me lendo vão entender este texto como algo pejorativo. Escrevo sobre aquilo que percebo, e assim tem sido desde que postei, neste espaço, meu primeiro texto, no agora longínquo ano de 2012. Rogério não me parece duvidar quanto aquilo que quer do time. Os jogadores, que pareciam acreditar plenamente nas instruções do treinador, agora parecem assustados com a quantidade de gols que o time sofre e de maneira involuntária arriscam-se menos.

O piloto automático engatilhado de forma naturalmente ofensiva dos primeiros jogos foi desligado. O São Paulo agora dirige manualmente seu avião. Entendo que diversos fatores contribuíram para que isso acontecesse. O primeiro, sem dúvida, foram os sustos contra times pequenos e de qualidade questionável​. O segundo, as seguintes lesões e viagens desgastantes do time, além da sequência absurda de jogos sem um intervalo mínimo para recuperação.

Tudo isso contribui para que o time se tornasse mais equilibrado. Hoje, sofre menos gols, contudo também marca bem menos. Entre um lado e outro, o grupo escolheu estar no meio, mas ficar neste espaço é jogar no mato toda a ideia planejada. O modelo de jogo pensado para o São Paulo não permite covardia, não permite dúvidas quanto a sua execução. O medo de perder, de tomar gol, não pode existir. Se existe, como hoje, o time não anda. Não ataca e não defende. Não ganha e não perde, empata. Aliás, empates vem sendo o padrão nesta semana.

Por mais que ainda haja um tempo relativo até que abril chegue, e com ele virão outros sequentes jogos decisivos, o São Paulo de Rogério precisa novamente acreditar ser possível sufocar o adversário e ter a bola no campo dele. As soluções defensivas vão ser encontradas com o passar do tempo, não adianta pressa, não é admissível mudar a forma de pensar o jogo. O treinador, tenho convicção, não quer isso. O torcedor também não. O grupo não tem o direito de se acovardar agora. Não tem o direito de deixar de fazer aquilo que faz de melhor. Modelo de jogo não se negocia, se aceita. A responsabilidade é do treinador. O São Paulo precisa voltar a jogar como vinha jogando antes de começar a duvidar de si mesmo.

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