São Paulo aprenderá a caminhar melhor em grupo e sem Cueva

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Adriano Vizani (Folhapress)

Allianz Parque, 11 de março. O ano é 2017. O Campeonato? Paulista. No banco do São Paulo, como treinador, há um nome histórico: Rogério Ceni. Com o até então maior ídolo da história do clube, o Tricolor enfrenta o seu rival que vive melhor aura no momento. O jogo, como visitante, que culmina em uma derrota impactante, serviria de exemplo negativo na moldagem do time nos próximos meses. Não dá para esquecer a partida do time neste dia. Ela é ruim. Sobretudo, individualmente.

Denis, Buffarini, Douglas, João Schmidt, Luiz Araujo, W. Nem, Lucas Fernandes e o próprio Rogério Ceni. É tão longa a lista de quem foi mal na casa do Palmeiras que nem deveria gastar espaço neste texto que estou escrevendo para postar um a um, mas decidi fazê-lo. E o faço para exemplificar que a ausência do principal jogador do time, o peruano Cueva, não fora o motivo da derrota por 3 a 0.

De fato, se olharmos os números da partida, veremos que eles foram menos destoantes do que em outros jogos recentes daquela época de temporada. O São Paulo de março, que não é o mesmo de agora, setembro, ainda não está acostumado a ser confrontado de igual para igual. Em breve, isso não será mais problema. O time vai entender que modelo de jogo, quando altamente protagonista, não se negocia.

A última frase dita por mim no parágrafo anterior lembra um outro treinador do São Paulo. O argentino, um dos muitos a vir antes de Ceni, repetia isso como mantra. Por não ser tão brilhante quanto é o atual técnico, ele se abraçava na ordem. Caiu quando a desrespeitou, quando negociou seus princípios em uma semifinal de Libertadores, algo irresponsável e pouco inteligente. Não deveria ter feito.

No jogo que protagonizou este texto, muitas falhas individuais e coletivas aconteceram, as mesmas que hoje quase não vemos. Apesar que, vez ou outra, elas voltam a acontecer. O time já aprendeu a trabalhar melhor coletivamente contra adversários que são tão bons ou melhores que ele. E o fez sem negociar a filosofia, mas sim adaptando os movimentos. Contudo, mesmo já dominando essa compreensão, perdeu outras. E, confesso, algumas foram até de forma melancólica. Cueva não esteve em algumas delas. Só algumas, pois perderam com ele em campo também.

O Sérgio de hoje, no momento em que escreve o texto, setembro de 2017, entende muito mais sobre o São Paulo de Ceni do que todas as outras pessoas que o vêem jogar em março, inclusive o próprio treinador do time. Esse mesmo cara, convictamente, pede que as análises feitas no terceiro mês sejam futuristas, pois esse é o tempo em que o time pertence. Seis meses depois do final de semana daquele jogo, o time estará coeso, sendo capaz de enfrentar outros adversários bons e ruins da mesma forma. E, sabe, ele estará fazendo muitos gols ainda, e tomando outros tantos, mas bem menos do que agora.

O São Paulo de Ceni disputará muitos outros jogos com e sem o seu camisa dez, sem o mágico, sem aquele que destrói linhas, quebra marcações e desonra defensores. Vai perder e vai ganhar, mas poucas vezes jogará como em 11 de março contra o Palmeiras.

O São Paulo de Rogério sempre caminhará melhor com Cueva, mas aprenderá a andar sem ele.

Nunca sozinho.

Em grupo.

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