O samba tricolor

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Cueva puxa a roda de Samba do Morumbi (Foto: Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress)

O ataque do São Paulo mostrou a que veio com as novas ideias propostas por Rogério Ceni. Apesar dos problemas encontrados para definir algumas partidas, o time embala uma sequência de oito jogos sem perder, sendo seis vitórias e dois empates. Esses dois empates ficaram com gosto amargo.

Em ambas as partidas, no Morumbi contra o Mirassol e em Novo Horizonte contra o time local, o São Paulo construía uma vantagem de 2 a 0 e, com o jogo praticamente ganho, sucumbia a erros defensivos e sedia o empate no final da peleja. Não fossem essas falhas, a sequência de invencibilidade teria um aproveitamento de 100%.

Esses problemas defensivos não mancharam o início de temporada tricolor, que anima a torcida. A média de 2,88 gols por jogo na partida é a maior entre os times da Série A. Jogando no Morumbi, os números são ainda melhores: 14 gols em 4 partidas. Média enorme de 3,5 gols por jogo. As apresentações do time agradam os são-paulinos.

O desempenho dos jogadores mostra como a mentalidade de Ceni já contagiou o grupo. As apostas do treinador vêm respondendo como o esperado por ele e até surpreendendo quem vê de fora. Luís Araújo ficou próximo de deixar o São Paulo quando recebeu proposta de R$ 22 milhões. Muitos acharam loucura mantê-lo no grupo com uma cifra tão grande em mãos. Mas a diretoria resolveu escutar Rogério. Claro que a venda de Neres tornou a permanência de Araújo obrigatória, mas convenhamos que o treinador entende do que fala e foi fundamental para a permanência.

E cobra o garoto. Muito! Grita com o número 31 durante quase todo o tempo. O incentiva seja para jogadas de ataque ou de defesa. É nítido a evolução do atacante e a dedicação que passou a ser fundamental para o esquema agressivo (no melhor dos sentidos) tricolor. A evolução é uma boa surpresa desde que Araújo passou a fazer parte da equipe principal, em 2016.

Outro destaque é Cícero. Discreto, foi conduzindo o meio-campo do São Paulo e nos últimos dois jogos resolveu ser artilheiro. Fez quatro gols que evidenciaram sua importância no esquema. Pedido de Ceni, veio de graça. Gilberto é outro bom exemplo de como a união formada no São Paulo faz um jogador crescer. Apesar de suas limitações, vem sendo importantíssimo sempre que joga. Aguerrido, passou a ter um papel coletivo diferente, não só apenas empurrando bolas para o gol. Mas quando surge a oportunidade, ele guarda.

Mas dificilmente o jogo tricolor fluiria tanto se não tivéssemos um camisa 10 chamado Christian Cueva. É impressionante como seu estilo de jogo faz o poder ofensivo do São Paulo parecer uma roda de samba. E as defesas adversárias estão entrando no ritmo carnavalesco do peruano. Craque!

Para o time ficar pronto para ir atrás dos objetivos maiores do ano, é hora de otimizar o esquema ofensivo para que os espaços, que fatalmente existirão, não sejam mortais à meta são-paulina. Erros custam mais caro quando há essas brechas, então o trabalho deve continuar para que estes sejam evitados. O São Paulo agrada. E o trabalho segue firme para encarar desafios cada vez maiores.

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