Trio-de-ferro troca técnicos medalhões por jovens: três currículos, dois títulos

0
79

Eduardo Baptista, Rogério Ceni e Fábio Carille: novidades no comando de Palmeiras, São Paulo e Corinthians em 2017

Esqueça currículos fartos, salários milionários e frases feitas. Ao olhar para os bancos de reservas dos três grandes clubes da capital paulista, serão vistos, guardadas as devidas proporções, técnicos inexperiente sem times desse porte, no início de suas carreiras.

Nada de Tite, Luxemburgo, Muricy, Mano, Cuca ou Oswaldo, figurinhas fáceis e vitoriosas nesses ou noutros tempos. Corinthians, Palmeirase São Paulo têm caras novas. Ou seminovas.

Fábio Carille foi auxiliar dos últimos técnicos do Corinthians. Ganhou uma efetivação-relâmpago após a demissão de Cristóvão Borges, e, agora, com o adeus de Oswaldo de Oliveira, sem grande convicção da diretoria, que tentou outros nomes, tornou-se plano A para 2017.

 

O Palmeiras perdeu Cuca, um dos principais responsáveis pela conquista do Brasileirão, e respondeu com um dos mais cotados da nova geração: autor de trabalhos destacáveis no Sport e, no ano passado, na Ponte Preta, Eduardo Baptista herdou um gigantesco e milionário elenco e terá de mostrar que já tem cacife para lidar com ele.

– A pressão é grande, mas o treinador tem que estar preparado, alheio a tudo isso, focado no campo. É uma relação muito estreita. Com resultados bons, a pressão diminui, mas não acaba. Sempre vou me preocupar com o trabalho em campo, com soluções táticas e técnicas – disse Eduardo Baptista, o “veterano” do trio, aos 46 anos, e de passagem frustrada pelo Fluminense entre 2015 e 16.

Do outro lado do muro, o São Paulo interrompeu o trabalho de Ricardo Gomes para ter de volta seu maior ídolo. Não mais no gol. Rogério Ceni agora trabalha com um apito pendurado no pescoço, auxiliares europeus ao lado, e carrega a missão de fazer sucesso na nova carreira, para poder separá-la do rótulo de principal nome da história tricolor.


Somados, os currículos de Carille, Eduardo e Ceni têm apenas dois títulos na função: o Pernambucano e a Copa do Nordeste do atual comandante alviverde, em 2014.

Há exatamente um ano, em janeiro de 2016, dirigiam o trio-de-ferro o supercampeão Tite, o bi brasileiro e campeão da Copa do Brasil Marcelo Oliveira e o bi da Libertadores Edgardo Bauza.

– O Palmeiras não poderia, neste momento, fazer uma aposta. Eu fui estudado, aqui há uma estrutura que acompanha jogadorese treinadores. Fui escolhido por estar preparado, ter o perfil que o Palmeiras queria. De maneira nenhuma sou uma aposta – afirmou, com firmeza, Baptista.

Rogério Ceni, que completará 44 anos no próximo dia 22, concorda com o colega.

– O Palmeiras tem um treinador bem mais experiente, nem pode ser considerado um jovem treinador. O Carille tem longa rodagem, não em equipes profissionais, mas em categorias de base. Talvez, o único inexperiente na função seja eu. Corinthians e Palmeiras apostaram em treinadores com certo conhecimento. Para mim vem sendo um grande desafio. Na minha vida foi assim, há 20 anos eu saí do gol para bater a primeira falta. É uma nova aventura, um novo desafio na carreira, por isso tentei me cercar de pessoas – referiu-se ao inglês Michael Beale, seu auxiliar, e ao francês Charles Hembert, supervisor defutebol do São Paulo, ambos trazidos por ele, e a quem costuma tecer rasgados elogios.

 

São Paulo e Corinthians têm uma peculiaridade: ambos vivem fase financeira complicada, e cortam gastos como podem para a próxima temporada. Abrir mão de técnicos consagrados alivia a folha salarial. Ceni, por exemplo, ganhará cerca de um terço do que recebia como goleiro, e menos do que todos os seus antecessores, com exceção de Doriva, que pouco ficou.

Promovido do cargo de auxiliar ao de treinador principal,Carille, de 43 anos, também representa uma economia ao Corinthians, e comemora a confiança nos mais jovens.

– É uma oportunidade maravilhosa para todos nós. Sabemos o tamanho da responsabilidade, todos buscam seu espaço dentro da profissão. Independentemente da idade, pela qualidade dos campeonatos, espero que fiquemos melhores, e nosso futebol cresça cada vez mais.

A primeira missão do trio não será nada fácil: acabar com a hegemonia no Paulistão do Santos de Dorival Júnior, desde julho de 2015 na Vila Belmiro. O Peixe chegou às últimas oito finais, com três vice-campeonatos e cinco títulos, inclusive os dois últimos. Contra Dorival, vem a “garotada”.

*Colaboraram Marcelo Braga e Tossiro Neto

Por globoesporte.com

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA