‘Coloquei um pouco de paz no São Paulo’, diz Marco Aurélio Cunha

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Dirigente ao lado do boneco tricolor durante a preparação do time nos EUA

Depois de quatro meses, Marco Aurélio Cunha deixou o São Paulo para voltar a comandar o futebol feminino da CBF. Em entrevista exclusiva ao Blog, o ex-diretor-executivo de futebol do Tricolor admite que encontrou um elenco com problemas de diálogo em 2016, fala de sua participação na fuga do rebaixamento no Brasileirão, assegura que indicou Rogério Ceni como técnico… e conta que o adeus ao São Paulo pode se transformar em um “até logo”.

BLOG: Que balanço faz dos seus 123 dias como homem forte do futebol no São Paulo?

MARCO AURÉLIO CUNHA: Saio satisfeito, porque consegui contornar os problemas, coloquei um pouco de paz no São Paulo e ajudei a evitar o rebaixamento. Cheguei em um momento muito difícil, com problemas de diálogo entre os atletas, várias incompreensões… Ao lado de todos, ordenei as coisas.

Chegou a temer que o São Paulo fosse ser rebaixado?

Quando eu aceitei o convite do Leco, arrisquei toda a minha história, porque o risco de rebaixamento existia. Comprei o barulho, porque achei que tinha de ajudar. Mas, com o passar do tempo, as pessoas foram se fechando, houve aproximação e o risco desapareceu.

Por que um clube com a receita e o investimento do Tricolor se viu naquela situação?

Por uma série de motivos, como por causa dos dois técnicos estrangeiros que o São Paulo teve.

Você é contra técnicos estrangeiros?

Não sou contra, mas é bem complicado contratá-los porque até que eles entendam o país, o futebol, o clube, gasta-se muito tempo… e o futebol brasileiro não oferece isso. O Osório e o Bauza saíram e não deixaram nada de legado. A crise do São Paulo tem muito a ver com a forma como o Bauza foi embora. O clube faz uma aposta gigante, se adapta a ele e, do nada, o cara vai embora?

Por que você não continuou no São Paulo?

Eu tinha um compromisso com o Marco Polo del Nero (presidente da CBF) de que ficaria 90 dias fora e voltaria. Gosto muito do São Paulo, mas o clube também vive um momento de incertezas por causa da eleição presidencial (em abril). Não seria legal trabalhar como executivo e ser conselheiro.

Então pode ser um “até logo”?

Para o São Paulo, é sempre um “até logo”. Não coloco previsão de volta, até porque desejo ficar em 2017 na CBF, mas não me furto às dificuldades.

Vai apoiar o Leco na eleição?

No momento, estou observando, até porque nem sei quem serão os candidatos. Espero que exista uma comunhão de esforços para apoiar o Leco, que pegou um “7 a 1” do Aidar. E hoje não vejo ninguém situado à realidade do São Paulo (na oposição). A continuidade dá mais expectativas do que o desconhecido.

O Rogério Ceni vai dar certo como técnico do São Paulo?

Vejo com muita esperança, até porque fui eu quem o indicou. Conversamos longamente, antes mesmo da aposentadoria dele. Por conhecer a casa, a estrutura do São Paulo e ser extremamente dedicado a tudo o que faz, acho que o Rogério vai dar muito certo. Ele, por exemplo, já sabe tudo do sub-20, sub-17, sub-15…

Não pode haver problema com os atletas que até outro dia eram seus companheiros?

Nenhum. Se já o respeitavam enquanto ele jogava, imagina agora, como treinador. E tem mais: o Rogério poderá exigir muito dos outros a partir de agora, coisa que não dava enquanto ele era apenas atleta. Hierarquicamente, a ordem mudou.

Por Yahoo! Esportes

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