Base precisa ser trabalhada com cuidado

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Quatros jogos como profissional, três como titular e dois gols: início de David Neres é meteórico, mas é preciso ter calma (Gazeta Esportiva)

Ninguém imaginava, mas eis que a  turbulenta temporada 2016 ainda reservou um raro momento de delírio para a torcida são-paulina, com a goleada por 4×0 diante do Corinthians, no Morumbi. Cueva acabou com o jogo, com um gol e três assistências, mas chamou a atenção também o ótimo desempenho das joias de Cotia, especialmente David Neres e Luiz Araújo, que também balançaram as redes no Majestoso.

Que a atual safra de garotos tricolores é muito boa, todo mundo sabe. Porém, o que não é habitual no São Paulo é fazer com que essa transição ocorra de forma adequada. O que há sempre é uma bipolaridade medonha, com todos decretando um novo craque na primeira boa atuação e destroçando o moleque no primeiro jogo ruim que fizer (ainda que ambas as partidas aconteçam em sequência). Exemplo disso é Neres, que se destacou em seus dois primeiros jogos como profissional e foi exaltado, perdeu gols fáceis na terceira atuação e já foi massacrado: eis a receita ideal para se queimar um garoto com enorme potencial.

Por mais que muitos não gostem de usar clubes rivais como referência, é impossível pensar em aproveitamento das categorias de base sem olhar para o Santos, certamente o melhor clube do país nesse quesito. É bem verdade que o time do litoral tem alguns diferenciais, já que sua sede fora da capital faz com que toda a pressão sobre ele seja menor, o que ajuda muito no dia-a-dia com a molecada. Mas é inegável que todo o trabalho realizado na transição de jogadores da base para o profissional é feito de modo diferenciado, especialmente pela paciência que todos, seja a torcida ou a diretoria, possui com os jovens. Os resultados são visíveis para qualquer um.

É claro que a realidade tricolor é diferente. Um clube paulistano convive numa ebulição muito maior do que no litoral e isso exige, muitas vezes, que as coisas aconteçam de modo mais rápido. Acontece, porém, que exigir pressa muitas vezes é sinônimo de fazer errado. No caso de jogadores recém-promovidos, não podemos nos esquecer que tudo que os cerca é muito novo e que o profissional é um mundo completamente diferente das categorias de base. David Neres tem apenas quatro jogos como profissional e, por mais que tudo com ele tenha acontecido de modo extremamente acelerado (três partidas como titular e dois gols marcados), ele ainda é um novato e vai errar muito até adquirir a maturidade esperada. E o mesmo vale para Luiz Araújo, Pedro, Lucas Fernandes (quando retornar) e todos os outros. E é nesse ponto que todos, principalmente o torcedor são-paulino, deve ser inteligente para não matar sua própria cria.

Com a provável ausência da Libertadores em 2017, o Tricolor terá basicamente o Campeonato Paulista para se preocupar no início da próxima temporada, o que garante um terreno perfeito para que os garotos de Cotia possam ganhar cancha e chegarem mais maduros para a disputa do próximo Brasileirão e em eventuais mata-matas mais agudos da Copa do Brasil. Com o caixa capenga, o São Paulo não deverá fazer grandes contratações. Por isso, uma temporada forte e vitoriosa dependerá fatalmente do desenvolvimento desses jovens. Cabe ao torcedor tricolor escolher entre o apoio e a impaciência suicida.

 

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