O São Paulo é aquilo que se planejou para ser: irritantemente equilibrado

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Bauza, no inicio da temporada, planejou São Paulo para ser uma equipe equilibrada: conseguiu. (Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC)

Se tem uma coisa que Bauza cumpriu em seu período no São Paulo foi a missão de ter conseguido equilibrar um time que vinha de muitas temporadas marcadas pelo descompasso ofensivo e defensivo. Contudo, digamos que o trabalho do argentino que passou pelo clube do Morumbi não foi, assim, muito bem feito. Bauza equilibrou o São Paulo por baixo. O treinador, em pouco mais de seis meses, piorou o que era bom e melhorou o que era ruim.

A direção, que contratou, e o argentino que moldou a identidade futebolística deste atual time têm muita culpa pelo fraco desempenho do São Paulo nos dois principais momentos de um time no jogo de futebol. Se a defesa do São Paulo é relativamente interessante e considerada mediana, o mesmo não se pode dizer do ataque do time, que sofre e muito pela desmontagem de um elenco que já não era de nível alto.

Mas não se pode dizer que a atual equipe que veste a camisa Tricolor não é equilibrada. Os números do São Paulo nos dizem isso. No Brasileirão, por exemplo, a equipe sofreu 29 gols e marcou 28. Empatou 9 e venceu 9. Esse equilíbrio vem desde os primeiros meses do ano, quando o Tricolor, não nos esqueçamos, penou no Campeonato Paulista e também na fase de grupos da Libertadores.

Ser equilibrado não é considerado algo ruim. Pelo contrário, muitas equipes buscam, justamente, chegar nesse ponto. O problema maior é quando esse equilíbrio não consegue ser suficiente para conquistar objetivos. Quando os setores de um time apresentam resultados iguais, eles precisam ser altos, pois a semelhança de aproveitamento, quando alcançada em um nível alto, gera saltos e separa times medianos dos bons e times bons dos que são muito bons.

Hoje, o equilíbrio do São Paulo não tem representatividade alguma na tabela do Brasileiro. Ter uma das melhores defesas do torneio não traz nenhuma implicância positiva no resultado final do trabalho e do planejamento. Contudo, se formos analisar todas as declarações que partiram do clube e de seus funcionários desde o começo da temporada, é até possível pensar que o São Paulo está hoje, literalmente, onde se planejou para estar. Tem sido, inclusive, aquilo que quis ser.

Bauza conseguiu, com auxilio de diversos outros atores, transformar a desequilibrada equipe são-paulina em um poço de equilíbrio. Talvez tenha faltado ao treinador e ao clube entender que bom mesmo é ter um equilíbrio desequilibrado, pois o atual, construído por eles, é bem pior do que tudo existia antes. O São Paulo detectou como problema uma das poucas coisas que o faziam brilhar em meio ao caos que tem sido os últimos anos.

Acredito que o planejamento de todos era montar um time capaz de fazer muitos gols e sofrer poucos. A ideia era ter um time que fosse dono de um dos melhores ataques e de uma das melhores defesas. Porém, repito, apesar de parecer, isso não é ser equilibrado, não literalmente. Ser equilibrado é ser aquilo que o São Paulo é hoje, e o faz com maestria. Logo, na lógica do futebol, equilíbrio é um conceito particularizado e significa, um pouco, desequilibrar-se.

Entendo que seja um pouco confuso tudo isso que acabei de dizer, pois essas coisas meio que rompem com as definições de equilíbrio que todos nós temos na cabeça. Não estou negando a importância do termo dentro do futebol, pois acredito que o mesmo é deveras essencial a qualquer equipe, principalmente dentro dos mais diversos momentos do jogo em si. No entanto, jamais entenderei como positivo ter uma equipe que se pode definir como equilibrada. O São Paulo errou ao pensar que montar um time centrado seria a solução para problemas antigos. Ser desequilibrado nunca foi um problema, ser excessivamente desequilibrado, sim. O clube agora paga o preço pela errônea inversão de valores.

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