Da aflição ao milagre

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Foi na luta, foi com a base, foi emocionante. Alívio (Foto: Érico Leonan/SPFC)

Ainda não sei o que dizer sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro na noite passada. Uma virada inacreditável, indescritível, milagrosa e, acima de tudo, providencial. A angústia sufocava o torcedor são-paulino.  Com o futebol que vinha mostrando, era muito difícil acreditar que o São Paulo poderia conquistar vitórias como a de ontem e o desespero da série B nunca esteve tão próximo.

Atendendo às expectativas, ou melhor, à falta delas, o primeiro tempo do São Paulo foi terrível. O time conseguiu dificultar um jogo que não começou complicado e aparentava ser possível um resultado. O gol do “time do tapetão” deveria mudar toda a história do jogo, já que o São Paulo não mostrou poder de reação durante todo o campeonato. Se o time saía perdendo, a derrota era quase certa. A única virada do ano havia sido contra o Oeste, pelo Campeonato Paulista.

O segundo tempo começou e nada aparentava melhorar. Os cariocas estiveram perto de matar o jogo. Até a jovem promessa de Cotia estrear no time profissional. Daí em diante, o jogo mudou. Claro que David Neres não carregou o time inteiro rumo à remontada. Mas quando entrou na partida, deu outra dinâmica ao ataque, mostrando a personalidade de um garoto que pode vir a ser um grande jogador. Potencial ele tem e deve ser parte dos planos ofensivos do tricolor no restante do ano. A rodagem vai fazer bem ao garoto de 19 anos, que é excelente peça para uma equipe diferente em 2017.

Para completar, Neres foi questionado ao final do jogo para quem dedicava a sua primeira partida. O camisa 14 foi direto: ao São Paulo. O garoto reconhece a grandeza de onde ele está e a importância que uma vitória tem em um momento tão delicado.

Thiago Mendes perdeu aquele gol após o cruzamento de David Neres e nós gastamos todo o repertório de ofensas contra o erro e a famosa “zica”, que teimava a continuar esquentando nossas cabeças. Pouco tempo depois, a redenção do volante veio, com uma forcinha sempre bem vinda da defesa adversária. No gol, repertório de palavrões reutilizado, dessa vez para o desabafo.

Depois daí, o Fluminense parou de jogar. Ao São Paulo coube ser inteligente e calmo para ir atrás da milagrosa virada. E ela veio. Ainda está custando acreditar, mas ela veio. Rodrigo Caio, o melhor jogador do São Paulo desde que voltou da CBF, guardou a bola no fundo da rede. Momento de muita euforia e alívio. Os vizinhos e os síndicos que nos perdoem. Mas o nervosismo estava entalado.

E o São Paulo ganhou! Uma vitória tão inacreditável como foi ganhar do Cruzeiro em 2013 com gols de Douglas e Reinaldo. O maior passo dado para evitar o vexame. Agora, faltam seis pontos para alcançar os sagrados 45 pontos e deixarmos para trás esse ano que aparentava nos guardar um final trágico. Quanto antes somarmos os pontos necessários para a salvação, mais tempo para pensar no futuro, para que ameaças assim não voltem a aparecer no Morumbi.

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