Ricardo Gomes precisa se ajudar para seguir no São Paulo

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Gomes começa a fraquejar no comando do São Paulo (Foto: Gazeta)

O treinador do São Paulo tem quase nenhuma culpa pelo momento atual do time do Morumbi. Gomes chegou ao clube com problemas escancarados e uma missão clara: repensar a forma de encarar o jogo da equipe.

Ricardo precisou de muito mais tempo do que deveria para reconstruir o São Paulo ideologicamente, mas iniciou uma ideia que, de longe, é a menos desesperadora dentro dos cenários possíveis.

O São Paulo do ex-técnico do Botafogo estava sofrendo menos nos jogos. Comparado aos outros múltiplos que já existiram dentro desta temporada, parecia ser o que se desenhava menos ruim.

Acontece que o próprio treinador tem começado a se prejudicar. Ricardo Gomes parece já não mais ter a certeza de qual caminho é o melhor diante das primeiras “novas” dificuldades, diante de situações que já não iguais àquelas que existiam quando ele chegou.

Ricardo Gomes fez o São Paulo superar problemas de ideia de jogo herdados da era Bauza, mas parece ter agora dificuldades em superar defeitos gerados por ele mesmo. O time que quebrava menos a bola, que tentava ter mais o controle das partidas e trocava mais passes não precisa ser destruído, apenas ajustado, mas Gomes talvez não pense assim.

A partida de hoje contra o Vitória foi muito estranha. Primeiro, pela atitude do técnico em resgatar o desenho tático problemático do antigo treinador argentino e abdicar do que havia tomado como seu. Sacar Wesley e não repor a saída com outro meio campista capaz de unir controle, passe e apoio foi uma escolha infeliz e quase injustificável.

O setor central do time são-paulino carece de qualidade técnica há tempos. E uma das formas de minimizar essa carência é reforçar o setor do time em quantidade. Sem qualidade no passe, resta ao São Paulo apostar na redução do espaço entre um jogador de meio e outro.

Distâncias curtas ajudam jogadores de passe problemático, como são os casos de Hudson e Thiago Mendes, por exemplo. Confesso não ter entendido a opção pela mudança de algo que vinha relativamente – de forma tímida, salientando – dando certo no time.

O São Paulo fez bons jogos diante de Figueirense, Cruzeiro, Atlético-PR e Juventude. Realmente não entendi as motivações que fizeram Gomes titubear quanto a sua ideia de jogo, principalmente quando sempre ouvimos do mesmo que há um processo evolutivo em vigor.

Ora, se evolui, por que mudas tanto? Espero que esse não seja um sinal de fraqueza – apesar de ter absoluta certeza de que é -, pois tudo que o São Paulo não precisa no momento é de um treinador incapaz de confiar nas suas próprias ideias.

Pior do que ter um treinador que não se ajuda, que não acredita em si mesmo, só mesmo ter alguém no banco que seja incapaz de avaliar de forma minimamente aceitável aquilo que dá ou não certo dentro do próprio trabalho.

Se Ricardo Gomes demonstra não acreditar em si, devemos nós acreditarmos?

 

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