A arte de insistir nos mesmos erros

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Coro contra Ricardo Gomes ganha força, mas resolverá, de fato? (GE.com)

Mais uma rodada se passou e, outra vez, cá estamos debruçados sobre as lamúrias tricolores. A derrota por 2×0 no Barradão, diante do Vitória, deixou o São Paulo a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento, faltando onze jogos para o fim do Brasileirão.

Como sempre acontece, todos já encontraram o grande culpado. Torcedores em geral, blogueiros e conselheiros (sempre eles…) já endossam a campanha #ForaRicardoGomes, como se a saída do treinador fizesse com que Thiago Mendes passasse a jogar como Pogba e  São Paulo atropelasse no jogo de sábado, contra o Flamengo. Outra vez, incorrem no erro de recorrer às mesmas “soluções” que nada resolveram ao longo desses e anos e que ainda enfiaram o Tricolor nesse buraco do qual não sai de modo algum.

Senão, vejamos: nos últimos dezoito meses, o São Paulo foi comandado por Muricy, Milton Cruz, Osorio, Doriva, Milton de novo (foram dois períodos distintos, com um número relevante de jogos, por isso contabilizo ambos), Bauza e Ricardo Gomes (Jardine não considero). Foram seis trocas no período, média de uma cada três meses. E adiantou de algo? O time passou a dar show porque trocou o homem à beira do campo? Claramente, não. Mas por que diabos, então, ainda insistem que trocar de técnico pela sétima vez em um ano e meio vai resolver alguma coisa?

Não isento Ricardo Gomes. Afinal, ele insiste com Thiago Mendes, força a barra com Lyanco, que ainda não tem a estabilidade necessária para ser titular do São Paulo (ainda mais num momento como o atual), entre outros erros evidentes. Mas o fato é que ele é o menos culpado de todos. Não é culpa dele o fato de o elenco não ter um meia (ah, sim, tem o Daniel, que não empolga técnico algum), não é culpa dele o São Paulo ter o elenco pífio que tem. Quando Ricardo chegou, há quarenta dias, já era isso que tinha.

Cada vez que alguém recorre à milagrosa solução de demitir técnico, está desviando o foco dos verdadeiros culpados, mesmo que todos saibam muito bem quem são eles. A degradação do futebol são-paulino começou com Juvenal, chegou ao ápice com Aidar e ainda não deu sinais de que irá embora com Leco. E o que os três têm em comum: todos se elegeram sob o mesmo grupo político. A gestão atual já teve no comando do futebol gente que estava com Aidar e já teve gente de Juvenal. Generalizando, o futebol do São Paulo passa pelas mãos do mesmo grupo de pessoas durante todo esse período de vexames, times horrendos e secas de títulos. Será que é só coincidência?

De nada adiantará ficar trocando de técnico a cada trimestre se o comando do futebol permanecer nas mãos de gente que não tem capacidade para segurar o rojão. É preciso que a gestão Leco (que, ao que parece, provavelmente será reeleita em abril) vá em busca de gente nova e competente, que saiba exercer seu trabalho de forma séria e sem ego. Não nos esqueçamos, inclusive, que um elogiado gestor se demitiu neste ano por causa da contratação de Cueva, efetuada sem o seu aval (era contra porque o peruano não poderia atuar na Libertadores). Agora, imaginem se o ego desse dirigente tivesse sido atendido e Cueva não tivesse vindo para o São Paulo: provavelmente, o Z4 à essa altura já seria mais do que mera proximidade, dada a fundamental importância que o jogador possui para o Tricolor neste Brasileirão.

Quando a situação é crítica, é preciso serenidade. Tenham isso sempre em mente.

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