São Paulo precisa deixar de se contentar com pouco

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Ceni e Lucas comemoram a Sul-Ameircana de 2012, único título tricolor em oito temporadas

O mês de julho vai chegando ao fim e, com ele, metade da temporada já se passou diante de nossos olhos. A Libertadores ficou pelo caminho e o Brasileirão apresenta uma tabela de classificação nada empolgante para os são-paulinos. Fato é que o São Paulo corre sério risco de fechar mais um ano sem ganhar um título, o que seria a sétima vez nas últimas oito temporadas. E isso não parece ser encarado com a devida seriedade.

Ninguém espera que um clube seja campeão rigorosamente todos os anos, mas o histórico recente do Tricolor demonstra que há muita coisa errada sendo feita, desde divergências políticas até a erros de planejamento, que será o meu foco.

Ao meu ver, um erro frequente no São Paulo é tratar a Libertadores como se ela durasse o ano inteiro. Todo o foco na montagem do elenco é voltado para a competição, incluindo reforços com contratos de apenas seis meses. Quando o torneio acaba, muda-se comissão técnica, reconstrói-se o elenco, enfim, troca-se todo o motor com o carro em movimento. Desde 2009, inclusive, essa é a primeira vez que o São Paulo não altera o técnico após ser eliminado da Liberta, o que não ajuda muito, já que o elenco passa por fortes mudanças.

É bem verdade que planejamento é algo naturalmente abstrato no futebol brasileiro, onde há clubes que já estão no terceiro técnico num período de quatro meses, por exemplo, mas o São Paulo precisa voltar a ser o clube de vanguarda, o clube “diferente” que era até uma década atrás. Quando deixou de ser, parou de ganhar e passou a viver de “reformulações” e “períodos de transição”, retóricas cada vez mais desgastadas de tanto serem utilizadas para varrer a sujeira para debaixo do tapete. O São Paulo precisa muito de um projeto a médio/longo prazo, algo que tinha tudo para ter acontecido com Osório, mas que a situação política da época (mais até do que o convite da seleção mexicana, na minha opinião) não deixou.

Sobre Bauza, honestamente, tenho dúvidas se ele seria o técnico certo para um projeto do tipo. Penso que um trabalho desse exige mais do que o acerto de um sistema defensivo visando a sobrevivência num torneio de mata-mata. Mas, seja lá qual for o técnico, é preciso que a diretoria tenha um foco bem definido, algo que não vemos pelos lados do Morumbi há muitos e muitos anos. Se não houver um planejamento sério sendo colocado em prática, continuaremos vendo a torcida tricolor se limitando a relembrar conquistas passadas e comemorando apenas eliminações de rivais na Libertadores, competição na qual já se satisfaz ao chegar nas semifinais. Pouco, muito pouco para quem torce para um clube do tamanho do São Paulo.

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