O torcedor precisa ser respeitado

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A torcida é o bem maior de um clube e deve ser tratada como tal (Foto: Reprodução)

Os terríveis acontecimentos que acompanhamos nos arredores do Morumbi na última quarta-feira foram a gota d’água para a diretoria do São Paulo perder a paciência com as “organizadas” e romper relações com esses torcedores, que possuíam benefícios como ingressos, viagens e ajuda financeira para participar do carnaval. Esse rompimento foi inevitável, se tornou obrigação do São Paulo após aqueles e outros fatos. Esse foi o primeiro passo dado pela diretoria. Agora, é necessário levar os torcedores de bem de volta ao Morumbi.

Na vitória contra o América-MG neste domingo, não dava para exigir uma presença em massa da torcida. Já era esperado uma baixa procura pelo jogo, ainda mais após a pancada sofrida na quarta-feira. Mas é difícil aceitar um público abaixo de 10 mil pessoas no Morumbi. O que fazer, então, para acabar com esses números ridículos? O próximo passo parece que começa a ser dado.

Segundo o portal UOL, a diretoria cogita abaixar o preço dos ingressos para a sequência do Campeonato Brasileiro. Não tem cabimento cobrar 50 reais para entradas na arquibancada. Existem os descontos para os sócios torcedores, mas estes não tornam o preço devidamente “popular”. Por isso, em todas as partidas no nacional até aqui, a demanda pela arquibancada amarela foi maior, apesar de ser atrás do gol. O ingresso custa 20 reais, com meia entrada a 10 reais. Inclusive, na partida contra o América, até os organizados migraram para a bancada amarela.

O preço é o fator mais viável ao São Paulo e decisivo para ter um bom público em partidas com procura menor que uma semifinal de Copa Libertadores. Ingressos mais baratos trarão públicos melhores. Se a diretoria realmente abaixar o preço, acertará novamente. Mas outro motivo que afasta quem aprecia a festa que o futebol nos proporciona é o despreparo das autoridades em lidar com os torcedores.

Esses são casos que aconteceram da última quarta, mas quem vai ao estádio com certa frequência sabe que não são exclusivos. No corredor para receber o ônibus com a delegação tricolor antes da partida contra os colombianos, o cerco “organizado” pela Polícia Militar do Estado de São Paulo foi menor que o feito no duelo contra o Atlético-MG. Isso acabou apertando os torcedores e impedindo aqueles que queriam apenas atravessar o cerco para entrar no estádio. Quem questionava se poderia passar para acessar os portões do Morumbi, era reprimido de forma bastante ríspida pelos oficiais da PM, nada muito surpreendente.

Após a festa no portão 1, a melhor parte daquela noite, os torcedores se aglomeraram nos acessos aos portões, o que causou mais tumulto e algumas confusões, novamente com policiais não facilitando a vida do torcedor. Mas o pior estava por vir, depois da derrota. Os bandidos começaram a agir contra os torcedores e a reação da polícia, com bombas e balas de borracha, não diferenciavam bandidos e torcedores. Atiravam em famílias, em mulheres e até crianças.

Torcedor é diferente de bandido. O problema não são os rojões, os sinalizadores, a fumaça, não é a cerveja consumida nos arredores do Morumbi, muito menos é a garrafa de vidro da Heineken, como alega o “grande” promotor Paulo Castilho. O problema são os criminosos e o despreparo em lidar com essas pessoas. O torcedor de bem está lá pela festa, pelo futebol, pelo amor pelo vermelho, branco e preto. E esse torcedor está cansado de ser tratado como um camundongo. Respeitem o direito de torcer.

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