Ganso sai do São Paulo muito melhor do que entrou

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(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Poderia começar esse texto de forma diferente, inclusive pelo título. Se fosse mais receoso quanto a saída do meia Paulo Henrique Ganso do São Paulo, poderia afirmar que “se sair, Ganso sai melhor”, porém, não sejamos ingênuos. A partida do camisa dez são-paulino é uma questão de dias ou, no melhor dos cenários, meses. Ganso já saiu do São Paulo, nos resta saber quando isso ocorrerá oficialmente.

Mesmo com a saída ainda não oficiliazada, reflexões sobre a passagem dele podem ser feitas. Este mesmo colunista, neste mesmo espaço, já dedicou diversos textos ao jogador. Em alguns deles, reafirmei, mesmo quando Ganso ainda não passava tanta confiança aos torcedores, que este jogador do São Paulo é muito melhor do que o mesmo quando jogava no Santos.

Hoje, momentos antes de anunciar sua saída do clube que tanto fez para sua carreira, Ganso já pode ter uma certeza. Sai do São Paulo muito melhor do que entrou. Ganso sai do São Paulo sendo muito mais jogador do que era no ex-clube, time esse que o chutou nas primeiras grandes dificuldades.

No São Paulo, Ganso foi cobrado. Ganso foi importante e desimportante. Paulo Henrique foi, no São Paulo, apenas Paulo Henrique, mas também foi Ganso. E ser Ganso é ser protagonista. É até engraçado pensar que sua função pede justamente que ele não seja a flecha, seja arco, mas no Tricolor o jogador foi, em diversos momentos, fecha e arco. Ganso passou boa parte do seu tempo no time do Morumbi sobrecarregado. Ganso foi por muito tempo a reserva de talento de um time que patinou na própria sujeira.

Em termos técnicos e, nessa avaliação, entra em conta a rodagem e a idade, Ganso nunca perdeu nada desde que deixou o Santos. No entanto, no Morumbi, Ganso ganhou sequência de jogos e um cuidado especial que jamais tivera no campo físico. Jogou e jogou muito, em quantidade e qualidade. Ganso adquiriu poder de liderança, de marcação e responsabilidade.

Quando a imprensa cobra exageradamente dele, cobra porque se frustou. Queria um Ganso que nunca existiu, vivo nos dias de hoje. Se fossem mais humildades e soubessem reconhecer os próprios erros, Ganso seria hoje um jogador que chamara para si uma atenção diferente, olhares diferentes, necessariamente mais próximos da realidade.

SAO PAULO, BRAZIL - SEPTEMBER 14:Ganso of Sao Paulo in action during the match between Sao Paulo and Cruzeiro for the Brazilian Series A 2014 at Morumbi stadium on September 14, 2014 in Sao Paulo, Brazil. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

Escrevo tudo isso para dizer que, mesmo tendo um divisor muito grande entre suas passagens por Santos e São Paulo, que são os títulos, o jogador, individualmente, foi melhor no Morumbi. É óbvio que ter sido campeão por muitas vezes no time da baixada pesa na análise de qualquer um sobre ele. No Santos, Ganso foi campeão ao lado de gente muito, mas muito boa, como Neymar e Robinho. No São Paulo, precisou quase sempre ser ele a mudar os cenários. Ganhou uma Sul-Americana sem muito participar, afinal, chegara no clube meses antes.

É muito difícil fazer análises individuais sem levar tanto em consideração o papel desempenhado pelo clube durante o período de análise. Eu fiz isso. Estive, como poucos, guardando cada passo do meia pelo São Paulo para comprovar minha tese, minhas observações. Estendi a minha memória para comprovar aquilo que os meus olhos já conseguiam ver claramente.

Quase quatro anos depois, Paulo Henrique Ganso deixa o Tricolor. Sem medo de errar, digo que foi Ganso, além de a mais cara contratação da história do São Paulo, também uma das melhores. O legado que deixa é pequeno em termos de título. Ganso não conseguiu mudar a história do São Paulo, mas o Tricolor mudou a sua. O São Paulo obteve sim retorno com a contratação do meia e prestou um serviço ao futebol ao recuperá-lo para a bola, para a vida. Ganso foi uma baita contratação do Tricolor e deve sempre ter em mente que sua chegada ao Morumbi foi a coisa mais certa que poderia ter feito. Ganso sai melhor do que entrou e o São Paulo sobreviverá sem ele. Mais frágil, menos técnico, porém com memórias. Quando este colunista estiver velho, relembrando os grandes jogadores que passaram pelo clube que torce, se lembrará de um camisa dez que dominava partidas como poucos.

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Sérgio Ricardo Jr.
Jornalista graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e observador de esportes. Apenas acompanhar futebol nunca me foi suficiente, então decidi escrever e estudar sobre o jogo. Admiro a Premier League e o Chelsea, mas eu gosto mesmo é de respirar São Paulo Futebol Clube.

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