Deixem o futebol em paz

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Destaque do jogo e celebrado até pelos jornais peruanos, Cueva foi punido ao comemorar seu gol (Foto: Reprodução/UOL)

O empate no Majestoso deste domingo, 17, serviu para o são-paulino manter a fé no time após a eliminação na Copa Libertadores. Apesar dos desfalques e das saídas de duas das principais peças do time, Calleri e Ganso, o time apresentou o brio que nos levou até a semifinal da competição continental e deixou o torcedor com um gosto de “quero mais”, depois do ponto conquistado em Itaquera. Melhor jogador da partida, Christian Cueva deixou boa impressão e terá papel fundamental na sequência do ano. Apesar disso, o peruano também foi alvo de um caso que mostra como as “autoridades” do futebol estão, aos poucos, acabando com essa paixão do povo.

Ao marcar o gol tricolor, Cueva celebrou com as mãos na orelha, como quem pede para ouvir a torcida. Mas existia um porém. Não havia torcedor algum do São Paulo no estádio. Estavam impedidos pelo Ministério Público de assistir à partida na “arena” de Itaquera. Portanto, a comemoração, já utilizada antes pelo jogador, se transformou em uma provocação aos torcedores rivais, únicos presentes na partida. Por isso, o camisa 13 tricolor recebeu um cartão amarelo, que o árbitro Péricles Bassols justificou na súmula que advertiu Cueva por “fazer gestos provocadores, debochados ou exaltados”.

Não foi a primeira vez que Cueva comemorou como “Topo Gigio” (Foto: Alejandro Suárez/Imago7)

Os jogadores já não possuem o apoio da sua gente no estádio do rival, agora não podem comemorar o gol porque vira deboche à única torcida presente. Os responsáveis pelo futebol em São Paulo e no Brasil estão levando o nosso esporte para o fundo do poço. Está cada dia mais difícil ser apaixonado pelo futebol. Não adianta nem dizer que o buraco é mais embaixo, pois são muitos buracos fundos. A violência de bandidos uniformizados, a brutalidade e o despreparo da polícia, os olhos míopes do Ministério Público, o sistema e os representantes arcaicos da CBF e suas péssimas orientações aos árbitros, muitas vezes inaptos a apitar com decência.

Todos esses males do futebol brasileiro e sobrou para o pobre Cueva, que foi advertido por comemorar seu primeiro gol nessa que deve ser a maior oportunidade da sua carreira até aqui, logo em um clássico e na casa de um dos principais rivais. Poucos privilegiados têm o prazer de sentir essa emoção que o peruano sentia, até atravessar o campo de volta ao lado são-paulino, quando Bassols “broxou” o êxtase desse momento histórico para o meia.

O São Paulo deve recorrer para anular este cartão amarelo e é necessário que atitudes como essa, tomadas pelo árbitro e incentivadas pela CBF, sejam repensadas para que não deixem o futebol cada vez mais chato e parecido com uma peça de teatro.

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