Cotia vai dominar o Morumbi

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Principal expoente da geração atual, Lucas Fernandes puxa a fila que vai de Cotia a Barra Funda (Gazeta Esportiva)
Cruzeiro x São Paulo, 6ª rodada do Brasileirão: dos vinte jogadores relacionados pelo técnico Edgardo Bauza, oito, quase a metade, eram garotos formados pela base tricolor. Enfim, após dez anos, o moderníssimo CFA de Cotia começa a render frutos.
Quando chegou ao clube, em dezembro passado, Patón declarou que daria atenção especial aos jovens talentos, sabendo da tradição são-paulina em formar jogadores e da magnífica estrutura que o clube possui para esse fim. À época, o sub-20 havia acabado de vencer a Copa do Brasil e estava iniciando a Copa Ipiranga RS, da qual também sairia campeão. O título da Libertadores da categoria, conquistado em fevereiro, no Paraguai, só reforçou o peso da geração atual.
O processo de transição dos garotos de Cotia para a Barra Funda poderia ter sido mais acelerado, não fosse a limitação de 28 atletas no Campeonato Paulista, que impediu que os treinadores fizerem maiores experiências. Luiz Araújo, destaque na conquista sul-americana, por exemplo, teve de ser emprestado ao Novorizontino para ganhar rodagem e só na partida do último domingo, no Mineirão, conseguiu estrear na equipe principal do São Paulo.
De nada, porém, vai adiantar Bauza dar espaço aos talentos da base se a torcida não tiver a paciência necessária. Todos os jogadores ainda apresentam muitas deficiências, o que é natural para quem ainda está em fase de transição. Mas a cada vez que atiram pedras no Matheus Reis por alguma falha, mais esses jogadores vão ficando intimidados e demorarão para começar a se destacar. No Santos, por exemplo, onde já existe uma mentalidade correta em relação à base, os jogadores se desenvolvem exatamente pelo fato de contarem com o apoio dos torcedores. Não adianta nada cobrar que Cotia dê frutos, mas já deixar uma fogueira preparada.
Para o restante da temporada, a expectativa é a de vermos cada vez mais a molecada em campo neste Brasileirão, especialmente quando a Libertadores voltar. Banguelê, que já atuou contra o Botafogo, tem a simpatia de Patón e deve se tornar figura constante. Inácio, que chamou muito a atenção durante a Copa São Paulo, ainda não treina na Barra Funda, mas é tratado internamente como uma joia e não tardará ter sua chance. Luiz Araújo deve ter sua participação ampliada, ao ponto que Lucas Fernandes, o jogador dessa geração que está mais adiantado em sua transição, tem tudo para se firmar como uma das opções mais importantes do elenco tricolor.
O melhor de tudo é que as próximas gerações também têm se destacado, o que é um indício de que muito mais gente boa vem por aí. Trabalhando corretamente, sem queimar etapas, o CFA de Cotia tem tudo para se firmar como a fábrica de craques que sempre se esperou que fosse.

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