O maior espetáculo da Terra, para o jogador mais singular do planeta

0
142

Não queríamos, mas era inevitável: o Mito encerrou sua
carreira de jogador de futebol. Sim, soa estranhíssimo, e certamente levará
muito tempo até nos acostumarmos com o fato de que Rogério Ceni não joga mais
pelo São Paulo.

Duas gerações, três títulos mundiais e uma festa à altura da grandiosidade de Rogério Ceni (SPFC)
Quando li pela primeira vez uma matéria o definindo como
“ex-jogador” foi como se dissessem que o Sol não nasceu. Pessoalmente, tenho 27
anos e sou de uma geração que já começou a se interessar por futebol vendo o
goleiro-artilheiro como titular do São Paulo. Pensar em outro sujeito na meta tricolor (de modo definitivo) é insano, e ainda mais louco é conceber a
ideia de que o Mito não está mais no clube. Não consigo me imaginar vendo a
escalação no próximo ano sem me perguntar quando Rogério volta. Sim, porque se
ele não está jogando é porque está lesionado. Sempre foi assim desde que eu
descobri o que diabos era um tiro de meta. Mas dessa vez ele não vai mais
voltar…

Já que é inútil lutar contra o tempo, esse senhor implacável
que não perdoa nem um mito do futebol, então que pelo menos o fim desse ciclo
seja grandioso. E assim foi no dia 11 de dezembro de 2015. Uma noite tão maravilhosa que deixou de ser a despedida de um
atleta e se tornou uma confraternização entre duas gerações, responsáveis por nada
menos que três títulos mundiais. Uma noite em que Brunos e Reinaldos deram lugar a um Cafu com fôlego de menino e um Junior arriscando, talvez, as únicas jogadas de linha de fundo que o Morumbi presenciou em 2015. Uma noite em que nos esquecemos de como o São Paulo está para nos lembrarmos do que o São Paulo é. Sem querer usar de pleonasmos ou trocadilhos
óbvios, mas a festa foi definitivamente mitológica.

Sempre vi muitos ex-jogadores, de diversos clubes,
reclamando do esquecimento por parte das agremiações que ajudaram a
engrandecer. Nesse cenário, dá para imaginar a alegria que cada campeão do
mundo sentiu ao entrar no Morumbi na última sexta. Muitos jogadores afastados
dos gramados há mais de uma década, outros há muitos anos sem rever seus
ex-companheiros. Imaginem o que se passou pela cabeça de Pintado, por exemplo,
ao retornar ao Morumbi depois de tanto tempo e ouvir mais de 60 mil vozes
gritando seu nome? E Raí, o eterno mestre da camisa 10, que pôde novamente
ouvir que ele é (e sempre será) “o terror do Morumbi”? Lugano, se tinha alguma
dúvida sobre o quanto a torcida são-paulina o adora, agora já pode até comprar
um apartamento ao lado da mansão tricolor, com a certeza de que viverá no lugar
onde é mais amado no mundo.

O cuidado em torno do evento merece uns parabéns à parte. Os
shows, tanto o pirotécnico quanto os musicais, deram a roupagem grandiosa digna
daquela noite. A festa nas arquibancadas, com bandeirões e sinalizadores, foram
o oposto da monotonia do futebol atual e nos levaram de volta a um tempo em que
esse esporte era mais vibrante, mais vivo (sim, sou um inimigo mortal do tal
futebol moderno).

A cereja no bolo foi o discurso final do Mito. O
agradecimento aos jogadores que não puderam comparecer invocou os merecidos aplausos a Cicinho e até na citação a um antigo usuário da camisa 10 tricolor, Rogério Ceni mostrou
possuir uma grandeza que o tal meia, infelizmente, demonstrou não ter. E foi
impossível que meus olhos não suassem quando o maior goleiro-artilheiro do
mundo pediu para que um dia suas cinzas repousassem no Morumbi. Totalmente arrepiante.

Todos nós queríamos que Rogério Ceni jogasse para sempre,
mas, novamente, o tempo é implacável e chega o momento em que é necessário
colocar um ponto final no capítulo. Sim, no capítulo, porque certamente essa
história ainda nos reservará muitas coisas pela frente. Enquanto não sabemos o
futuro do Mito, fica aqui o nosso muito obrigado a esse gigante, que foi
monstruoso até na hora de se despedir, nos proporcionando o privilégio de ver
em campo os responsáveis pelas estrelas vermelhas de nossa camisa, e dando a
eles a merecida alegria de serem novamente aplaudidos por um Morumbi lotado.
Por tudo isso, jamais deixaremos de dizer: TODOS TÊM ÍDOLOS, MAS SÓ NÓS TEMOS O
MITO ROGÉRIO CENI!

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA