Esperem de Bauza apenas aquilo que ele pode oferecer

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Edgardo Bauza comandou San Lorenzo na Libertadores 2015 (Foto: globoesporte.com)
Edgardo Bauza é o novo técnico do São Paulo. Se eu disser que não fui surpreendido com a escolha do nome, estaria mentindo. Não esperava que na direção do Tricolor se cogitasse a opção Bauza. Todavia, fora ele o comandante escolhido para esse novo inicio de ciclo no São Paulo. Agora, o que precisa se consolidar na cabeça da coletividade são-paulina é a expectativa. Não dá, analisando o histórico de trabalho do treinador argentino, pra esperar qualquer coisa além daquilo que ele pode oferecer.
Ter um time equilibrado, que inicie-se a partir da defesa parece ter sido a opção da direção são-paulina. Digo parece pois sabemos muito bem que o processo de escolha de um treinador, no Brasil, é quase sempre aleatório e muitas vezes as características e filosofias, formas de enxergar o jogo, são deixadas de lado. Vale mais o nome. Não estou dizendo que esse é o caso na chegada de Bauza, mas não me parece estar muito longe disso quando um dos diretores de futebol aponta o “jogar pra frente” do treinador com motivo de escolha.
Quem acompanha minimamente o futebol sul-americano sabe que jogar pra frente não é um princípio do argentino. Contudo, Bauza também não pode ser considerado um técnico retranqueiro, defensivo. Bauza preza pelo equilíbrio. O objetivo é fazer com que seus times ataquem e defendam de forma semelhante. Para implementar isso no Morumbi, Bauza precisará de tempo e, acima de tudo, de reforços.
É preciso esperar de Bauza somente aquilo que ele pode oferecer. E o mesmo serve para alguns jogadores do elenco atual do São Paulo. Não dá para ser bobinho e acreditar que jogadores passivos serão aguerridos somente pela chegada de Bauza. Talvez seja hora de mexer mais profundamente no time, mesmo que para isso seja preciso abrir mais espaço para jogadores da base, já que o poderio financeiro é baixo. 
Realmente não é nossa função, enquanto torcida, planejar as coisas do clube. Pessoas estão designadas dentro da instituição para fazer isso, algumas, inclusive, remuneradas, algo que entendo como caminho correto para se evitar casos como de ex-presidentes acusados de desvio de verba. Então, mais do que escolher um treinador renomado e vencedor para dirigir o São Paulo, é preciso assumir as consequências dessa opção. Que não se faça um trabalho pela metade no São Paulo. Para mudar com Bauza, será necessário mudar para Bauza. 
SÉRGIO RICARDO JR.

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