A trajetória de um presidente folclórico

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A semana de despedida do Mito Rogério Ceni foi interrompida
com a triste notícia do falecimento do ex-presidente Juvenal Juvêncio, na manhã
desta quarta-feira. Icônico e sem medo de se meter em polêmicas, JJ foi um
personagem à parte na história tricolor – e do futebol brasileiro. 

Juvenal é homenageado pelo elenco em seu último jogo como presidente: sintonia forte com os atletas (SPFC)
 

Falar de Juvenal é percorrer uma parte gigantesca da
história recente do São Paulo. Não apenas pelo fato dele ter estado ali dentro
por muito tempo, mas, principalmente, por ter vivido o melhor e o pior do
SPFC.

Inserido na política do clube durante a primeira passagem de
Carlos Miguel Aidar como presidente (1984-1988), Juvenal foi escolhido para sua
sucessão e comandou o clube por dois anos, até ser derrotado no pleito de 1990 por
Mesquita Pimenta, que seria o comandante tricolor durante a gloriosa era Telê.

Seu retorno aconteceu em 2003, após o atual mandatário Leco
se desligar do cargo de diretor de futebol. Curiosamente, Juvenal foi escolhido
pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa, invertendo os papéis que ambos exerceram de 1988 a
1990. E foi a partir de 2004 que seu trabalho começou a despertar. Como
homem-forte do futebol, recebeu autonomia total para montar a equipe que
achasse ideal e plantou a semente que germinaria na coleção de título dos anos
seguintes, algo determinante para seu retorno à presidência em 2006.

Juvenal Juvêncio poderia ter ficado marcado como um dos
maiores presidentes da história do São Paulo Futebol Clube, mas pecou pela ambição
excessiva. Foi por isso que, através de uma manobra jurídica, conseguiu
emplacar um terceiro mandato e totalizar oito anos como mandatário tricolor.
Como se não bastasse, seus últimos quatro anos foram terríveis. Antes mesmo do segundo
mandato expirar, perdeu a sede paulista para a Copa do Mundo de 2014 porque não
conseguiu compreender a briga que estava travando e lutou de maneira
equivocada. Obcecado, buscou de maneira infrutífera recolocar o Morumbi acima dos
palcos do Mundial. Teve como grande objetivo fazer com que
a Mansão tricolor (que chamava de “casa sacrossanta”) chegasse a 2014 totalmente
modernizada, mas a única coisa que conseguiu foi trocar os antigos assentos multicoloridos por
cadeiras vermelhas. Os elencos montados, antes exemplares, tornaram-se deploráveis. O perfil de jogadores sem renome e com muita vontade foi trocado por medalhões com pouco comprometimento à causa tricolor. A confusão armada em um churrasco na sede social do clube durante a crise de 2013 foi o grande símbolo desse período.

O fim da trajetória de Juvenal Juvêncio tornou-se ainda mais
melancólico graças à guerra travada contra o ex-aliado Carlos Miguel Aidar. Tanto
que, quando esse último renunciou à presidência do São Paulo, JJ disse que,
enfim, poderia descansar.

Não podemos nos esquecer de todos os erros de sua gestão,
principalmente nos últimos anos, tampouco da situação financeira nada favorável
que ele deixou (ainda mais se compararmos com o que ele recebeu de Marcelo
Portugal Gouvêa). Mas também devemos lembrar o outro lado, o do gestor de
futebol altamente preciso na montagem de um elenco, do presidente que não tinha
qualquer pudor na hora de exaltar o clube. Do presidente à moda antiga, com uma
relação única junto aos jogadores. Quem, por exemplo, não se lembra dos cavalos
que ele dava de presente aos atletas nos idos de 2007, 2008?
Autêntico, excêntrico e com uma alma verdadeiramente são-paulina. Isso é um pouco do que podemos ver no vídeo abaixo; isso é o que foi Juvenal Juvêncio.

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