Vai passar

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(Foto: Tales Andreazza Ebner)
Apesar de ser um cara de certa forma cético, com convicções de vida bem definidas, não posso evitar dizer que existem alguns momentos na vida em que não é preciso conhecimento teórico sobre futebol para analisar um clube ou qualquer situação em que ele foi colocado. Sentir é suficiente.
De antemão, peço licença ao público que me acompanha desde 2012 aqui neste mesmo espaço para escrever com uma linha diferente, pois não estamos vivendo dias comuns. Situações diferentes exigem abordagens diferentes.
Vai passar. 
Parece bobagem, eu sei. Talvez seja. 
Não afirmarei nada ao contrário disso. 
Sabe, muitas vezes passamos por momentos complicados e o sentimento que isso nos causa é incontrolável, geralmente imprevisível, inclusive. Não é difícil imaginar quantas vidas se foram abruptamente por um momento ruim que não soube ser compreendido. Acontece todos os dias.
Por mais idade, conhecimento, dinheiro, importância ou qualquer outra coisa que tenhamos mais ou menos em relação aos outros, todos vão passar por dificuldades, situações constrangedoras e que parecem impossíveis de se resolver. Todos nós temos pesadelos.
Se existe um momento na vida de um clube de futebol que serve para por em par de igualdade todos os torcedores, esse momento é a crise. Grandes, pequenas, inventadas ou profundamente degradantes. Todas as crises te perturbam. 
Me dói ler sobre o São Paulo hoje, e talvez até por isso tenha escolhido não escrever sobre aquilo que naturalmente escrevo. Não é o momento. Não quero causar a mesma sensação em terceiros.
Eu entendo que algumas vezes é preciso simplesmente parar. Deixar passar. Agir, claro, cobrar, mas não se corroer. Nenhum amor merece ter a auto-degradação como estágio diário.
Não espero que encarem isso como uma forma ruim de consolação. Não é a minha intenção. A mensagem boba que passo é a simples realidade: vai passar. Pode demorar meses, anos ou mandatos para que isso aconteça, e no fundo todo mundo sabe disso, mas passa. Assim como jogadores, torcedores, dirigentes, crises também passam.  Fixar isso em mente é o que me faz ter estômago para ler os noticiários esportivos todas as manhãs.
Não existe salvador da pátria, antes que se perguntem. Existe comprometimento. Existe gente honesta. Existe gente que sente. Resta ao torcedor não abdicar do clube, resta ao torcedor ajudar da forma que julga ser possível. O São Paulo precisa de todo mundo para seguir pulsando. 
Força!

SÉRGIO RICARDO JR.

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