Terceira camisa e polêmica sem fim

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Como se o São Paulo já não estivesse vivenciando problemas
demais, eis que nesta semana fomos agraciados com mais uma pauta para alimentar
fortes discussões: a tão falada “terceira camisa”, enfim, se tornará realidade.
Primeiro time do SPFC, em 1930: a mesma camisa de sempre (Site Oficial SPFC)
Primeiramente, faço questão de expor meu ponto de vista. Sou
altamente conservador nesse sentido. Um orgulho que tenho é da identidade
própria do São Paulo. Ao contrário de outros clubes (a imensa maioria deles,
talvez), sempre tivemos o mesmo nome e, exceto por alguns pequenos detalhes,
nosso escudo é o mesmo desde a origem do clube, em 1930. E sempre tivemos
também os mesmos uniformes. A nossa bela camisa branca, com uma faixa vertical
vermelha e outra preta e o escudo centralizado, de tão revolucionária foi
copiada até por clubes mais antigos que o nosso (o mesmo vale para o escudo,
que não existia semelhante até então). A camisa número dois, que segue o modelo padrão dos clubes tricolores, segue a mesma desde sua criação, em 1933
(até então os clubes não eram obrigados a ter camisas alternativas).
Por tudo isso, sempre me posicionei contra essa coisa de
camisa “diferente”. Sempre achei bizarro ver rivais nossos jogarem de cinza,
verde-limão, roxo, etc. Sempre achei esquisito ver o Cruzeiro jogar de amarelo,
o Vasco de azul, enfim. E vibrava ao saber que essas esquisitices estavam longe
do Morumbi. Mas os dias são outros e, em meio a um turbilhão de notícias
negativas, eis que surge a pérola: teremos uma camisa bordô!
Para quem não sabe, bordô é algo parecido com o Juventus da
Mooca ou o Torino. Nossos dois arquivais paulistanos, inclusive, já vestiram
camisas do tipo anos atrás.
Há tempos esse assunto bombardeia discussões em redes
sociais. Os favoráveis sempre abordam o tema como uma espécie de “tendência do
mercado”. Afinal, praticamente todos os clubes adotam essa iniciativa, e os
resultados nas lojas são bem interessantes. Porém, vale mesmo a pena romper com
as tradições só para ser igual a todo mundo e ganhar uns trocados a mais? Por
que “modernidade” tem de significar perda de identidade?
É verdade que, se buscarmos ao longo da história, veremos
que o São Paulo já usou algumas camisas diferentes em algumas poucas
oportunidades (uma delas, abaixo), mas nunca com a motivação citada acima e sempre valorizando
nossas sagradas três cores.
Camisa usada nos idos dos anos 40

Pensando bem, talvez seja até melhor o São Paulo entrar em
campo com uma cor que não é a nossa. Assim, fica mais fácil para fingirmos que
isso que vemos hoje não é o verdadeiro SPFC. Afinal, o elenco atual, com seus
Gansos da vida, não é mesmo digno de vestir o sagrado manto das três cores. Ou
seja, a camisa bordô nada mais é do que uma forma de preservar a nossa imagem!

Em tempo: como desgraça pouca é bobagem, fomos informados de
que não se trata de terceira camisa, mas sim de um “modelo comemorativo” pelos 85 anos do clube, completados… em janeiro! E sim,
estamos há quase três anos sem ganhar um título (e esse foi o único nos últimos
seis anos), a imagem do clube vai à lama, com calotes a torto e a direito, não
temos em campo um time que nos dê orgulho e vemos o maior ídolo de nossa
história ter de encerrar a sua carreira em meio a essa tranqueira toda. Ainda
assim, a alta cúpula tricolor acredita que é tempo de comemorar! O jeito é seguir
o conselho que o nosso colega Sérgio Ricardo Jr. nos deu em sua última coluna:
parar, respirar e botar na mente que tudo isso vai passar. Só espero que não
demore muito mais do que já demorou…

Para quem deseja conhecer mais sobre as camisas alternativas do São Paulo FC, sugiro o link abaixo, do grande Michael Serra:

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