Não há desculpas para não trazer Lugano de volta

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A apresentação do “Homem do Presidente”, em 2003, com Lugano e o eterno Marcelo Portugal Gouvêa.
Foto: Rubes Chiri / Site oficial 

O que pior pode acontecer com um time de futebol? Seria a escassez de títulos? Derrota em clássicos? Rebaixamento? Tudo isso é terrível (apesar de não saber o sentimento de ser rebaixado, imagino o quão duro seja), mas ver uma equipe sem alma, com jogadores que não estão nem aí pro clube é algo nojento, repugnante, horroroso e mais todos os adjetivos negativos que pudermos colocar.

O São Paulo de hoje é isso. Com exceção do M1TO e de mais um ou outro jogador, nosso time não luta, toma um gol e morre, fica tocando a bola inutilmente parecendo que à espera do adversário dormir, tamanha a monotonia. O time sendo derrotado e ninguém pressiona o adversário, nem sequer começam a alçar a bola na área no desespero para pelo menos mostrar que está empenhado em busca do gol.
Diós celebra na final do Mundial de 2005.
Foto: UOL

Raça é uma palavra que tem passado longe do Morumbi. É por isso que eu e muitos outros são-paulinos não conseguimos conceber o porquê de Diego Lugano ser prontamente descartado pela diretoria. Diós acertou recentemente sua ida para o Cerro Porteño. Ao acertar seu contrato com o clube paraguaio, exigiu a inclusão de uma cláusula que, em caso de proposta do São Paulo, ele pode ser liberado na hora.

Enquanto temos uns que forçam expulsão, se animam com propostas vindas da América do Norte e estão pouco se lixando para o São Paulo, temos Diego Lugano, mesmo sempre tendo seu nome rejeitado pela alta cúpula tricolor, lembrando do clube e mostrando que voltar ao São Paulo ainda é seu sonho.
Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro, acham que o São Paulo está bem servido de zagueiros (pasmem!) e por isso não há interesse na contratação de Lugano. Alguns torcedores, inclusive, o consideram velho, quase um ex-jogador em atividade e que por isso poderia manchar sua história no clube.
Vamos por partes: obviamente o São Paulo está com zagueiros com um nível abaixo da crítica, inclusive

Lucão, tão elogiado inexplicavelmente por imprensa e diretoria. Me desculpem, mas Lugano em fim de carreira jamais será pior do que Edson Silva, com todo respeito ao jogador. Quanto ao fato de nosso ídolo uruguaio poder manchar sua história aqui, isso jamais aconteceria. Cicinho voltou e teve uma segunda passagem apagada. Alguém considera que o lateral manchou sua história vencedora? Absolutamente, não.

Lugano comemora gol marcado pela seleção uruguaia.
Foto: Sandro Pereyra / EFE

De qualquer forma, a vinda de Lugano é necessária não somente pelo fator técnico. É para acabar com o problema citado no início do texto: a falta de raça que assola esse elenco. Nem que seja para ficar no banco e entrar vez ou outra, é preciso alguém que contagie o resto do time, que não se conforme com a derrota, que mostre que está tão puto quanto o torcedor, que não seja indiferente frente a atuações vergonhosas. Que tenha caráter, e isso o uruguaio tem de sobra.

Clássico entre Fenerbahce e Galatasaray. Atitude de quem não afina em jogo grande.
Foto: Divulgação

Além de tudo do que já foi citado, seria uma oportunidade incrível de explorar a vinda de Diós Lugano no marketing. Imaginem como seria sua apresentação no Morumbi lotado, a quantidade de camisas que venderia, quanto poderia impulsionar os novos planos de Sócio Torcedor. Isso, sem contar que serviria de escudo para a diretoria, com a torcida satisfeita e com a atenção desviada de todas as mazelas que nossos comandantes têm feito nos últimos tempos. Mas parece que são tão limitados que nem essa possibilidade enxergam. Acorda, Aidar!

Lugano quebra o nariz contra o Guarani. Ia chorar? Jamais.
Foto: Marcelo Ferrelli / Gazeta Press

Há ainda aqueles que vão dizer que Lugano quer uma fortuna, e que assim fica fácil ter amor ao time e fazer parecer que é culpa do clube a sua não contratação. Bom, se existem boçais que acham que a continuidade da carreira de Rogério, o maior ídolo de todos os tempos, é o grande problema do São Paulo, com muitos, inclusive, chegando a xingá-lo, o que dizer do que podem falar de besteiras sobre um ídolo que está num estágio abaixo do M1TO. 

Para esses seres, antes de saírem falando que Lugano pede alto, peço que assistam a este trecho da entrevista de Lugano no Bola da Vez, da ESPN, no ano passado, em que ele deixa claro que dinheiro não foi, não é e nunca será problema para uma eventual volta ao São Paulo. Assista ao trecho que começa a 1:06:00:

Termino aqui fazendo um pedido sincero: senhor Carlos Miguel Aidar, já basta estarmos vendo jogadores vagabundos vestindo a nossa camisa, sermos humilhados por nossos rivais em clássicos e ainda vendo um show de besteiras sendo feitas por vocês que comandam o clube. Dêem-nos, ao menos, um motivo para ficar alegre, para ter um ídolo de volta que possa contagiar o restante do elenco e nos fazer assistir a um time que, mesmo derrotado, nos dê orgulho em campo. Traga Diego Lugano de volta. 

O camisa 5 comemora o título da Libertadores de 2005.
Foto: Rubens Chiri / Site oficial

Nota: a janela de transferências para a chegada de jogadores de fora do país foi encerrada ontem (21/07). De qualquer maneira, o texto é uma crítica à diretoria que poderia tê-lo trazido, inclusive, antes de Lugano ser contratado pelo Cerro Porteño. Esperamos que na próxima oportunidade, Diós possa retornar ao tricolor.

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