Incompetência, pilantragem, os papeis de trouxa do torcedor e uma “proposta” para mudar o nome do Morumbi

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Poucas vezes na minha vida eu tive tanta dificuldade em começar um texto. Assim como poucas vezes na minha vida vi o São Paulo do jeito que está. É tanta desgraça, tanta coisa ruim, tanto absurdo que fica difícil saber por onde começar, sobre o que falar com mais atenção. Transformaram a entidade em um recanto de incompetência, sujeira, podridão e desonra. E isso acontece em tantos setores que fica até difícil ter esperança…

Vamos começar pelo mais óbvio: é inadmissível alguém fazer com a camisa do São Paulo o que os senhores Luis Fabiano e Paulo Henrique Ganso estão fazendo. O primeiro, após ficar, contrariando o que TODO MUNDO (jogador, clubes e boa parte da torcida) queria, dá uma entrevista em um clima que parecia que um ente querido havia falecido. Diz, com todas as letras, que “infelizmente a negociação não saiu”. Aí, o time está perdendo e chamam um cara que, teoricamente, é profissional para entrar: nos 27 minutos (!) que ficou em campo, seus números são: uma finalização errada, um lançamento certo, um desarme errado, um passe errado, três passes certos, e, claro, um impedimento característico (números do Footstats). Além de uma expulsão, por dois cartões, absolutamente ridícula, nojenta. É muito amor pelo clube, mesmo…

O nosso camisa 10, acima da média, diferenciado, segue sua rotina de conseguir errar tudo o que tenta fazer e simplesmente não se importar com isso. Juntamente com seu companheiro, citado acima, dá um show de descompromisso e pura pilantragem com a camisa do São Paulo. Ele não acerta, não faz questão de acertar, e conseguiu ser expulso de maneira tão ridícula e nojenta quanto o camisa 9. Aliás, após a expulsão, só faltou agradecer ao árbitro. O que um amigo me disse é verdade: ele chuta mais forte um copo d’água do que a bola.

Em meio à tanta idolatria inexplicável e falta de cobrança do clube, o São Paulo morre abraçado com tudo isso…
Foto: Leonardo Soares/UOL

O papel de trouxa do torcedor depende em qual grupo você se encaixa, pois existem dois tipos: tem o torcedor que briga com o óbvio. Que está vendo tudo que acontece, está acompanhando, está ciente… e segue defendendo o jogador, só faltando pedir para renovar. Coloca o “Fã-Clube” acima da instituição que dizem amar. Quer gostar do jogador? Gosta, cada um gosta da porcaria que quiser, mas quando começa a prejudicar o clube fica irritante. É uma cena patética você ir ao Morumbi e ficar ouvindo “Luis Fabiano” a cada TOQUE na bola do jogador, como se fosse um deus ou uma entidade divina. A partir do momento que o sujeito está prejudicando o clube, seja com atuações de um ex-atleta em atividade, com descompromisso ou tudo junto, dá margem para o cara fazer o que quiser. E ele faz.

O outro tipo de trouxa é um o qual me encaixo perfeitamente. Estou vendo a pilantragem, estou vendo que esse time não apresenta sequer perspectiva, e junto dinheiro para poder ir, por exemplo, para Curitiba (já passou), Belo Horizonte (dia 29), Florianópolis (12) e Rio de Janeiro (23/8) ver os jogos. Fico caçando passagens aéreas que estejam pelo mesmo valor do ônibus e, caso não ache, vou de ônibus. Percebi que eu era trouxa assim no ano passado e, desde então, nunca mais discuti com nenhum amigo que estava sendo enganado por alguma mulher ou coisa assim. É a mesma coisa. Em Curitiba, após a derrota para o Atlético, ainda pude ver o esquema de guerra que foi feito para que alguns jogadores (não conseguimos, eu e os outros irmãos são-paulinos, identificá-los) saírem escondidos para a noitada, depois das duas horas da manhã. Pelo que foi falado, chegaram por volta de 7h. Eu saí às 5h15min e ainda não estavam lá. Ah! Eles voltaram para São Paulo e tinha treino. É um sentimento de tristeza e ódio que até hoje não digeri. É muito ruim você ver um jogo do seu time torcendo para que, graças a incompetência, fatores externos e pilantragem, o adversário esteja muito mal, porque se estiver bem… É tipo você ter uma namorada e sair com ela rezando para ninguém dar em cima dela, senão ela te trai. Que vida, hein?

E ainda tive que ler algo como: “Ah, vocês já sentaram para tomar uma ‘breja’ (!!!) com esses caras que vocês dizem que não tem caráter ou são vagabundos para saber?”. Realmente… Acho que vou pegar um carro, atropelar umas 18 pessoas e, no dia seguinte, fazer um trabalho voluntário, umas doações… E ah! Prometo que serei uma simpatia de pessoa com quem quiser tomar um suco comigo em algum lugar, afinal, é isso que importa, né? Sim, exagerei no exemplo, mas acho que ficou no nível do raciocínio que tive que ler.

Imagem típica de um torcedor apaixonado do São Paulo, absurdo após absurdo, palhaçada após palhaçada…
Imagem: Reprodução

Agora, vamos sair das quatro linhas, mas antes, uma introdução: o nosso camisa 11, que decidiu as últimas duas partidas anteriores à essa derrota, não é craque. Passa muito longe de ser um craque, de ter um talento extraordinário. Em um time arrumado, ele pode ser bom jogador. O que eu quero dizer com isso? Não podemos depender dele para ser O CARA do São Paulo, como vem acontecendo. Estilo “bola para ele e deixa ele se virar”. Ele, primeiro, não tem qualidade para isso. Segundo, não tem personalidade para tal função. Mesmo assim, isso vem acontecendo por uma série de circunstâncias e, é bom deixar claro, nenhuma delas envolve o Osorio, uma das poucas pessoas sérias nesse clube. Dito isso, vamos ao próximo (e repetido) tópico: nossa diretoria.

Hoje, nosso presidente deu uma entrevista daquelas que você lê, relê, certifica-se que aquilo é sério e pensa: “Acho que eu vou me matar”. O primeiro ponto: ele “não está medindo esforços”, como já dito, para contratar em definitivo o Alexandre. Afirma que, em 2016, caso o jogador aceite e o clube se acerte com o rival, dono de seus direitos, ele seria o único do elenco a ganhar acima do teto salarial, recebendo cerca de 400 mil reais. Já está errado aí! Existe um teto e, para existir uma ou outra exceção, precisamos falar de um craque, de um jogador diferenciado, que vai resolver jogos para o clube, mudar o time de patamar. O Alexandre é esse cara? Não. Mas fica pior! Nosso presidente disse que vai criar uma espécie de programa, dentro do Sócio-Torcedor, chamado “Eu pago o Pato”, e 20% desse valor iria para o jogador. MEU DEUS DO CÉU!!! Se um programa de humor fizesse isso, até tudo bem, mas É SÉRIO!!! Presidente, eu “pago o pato” há muito tempo com a várzea que estão transformando o São Paulo, mas o Pato eu não pago nem FODENDO.

Mas as pérolas continuam: com tranquilidade, o mandatário explica a situação com o Orlando City. Em resumo: o São Paulo assinou um contrato e, ao total, ficou devendo dois milhões de reais aos americanos pelo empréstimo do Kaká. Até aí, tudo bem. O problema é que era preciso prestar contas desse dinheiro e o clube… perdeu o prazo!!! Com isso, a dívida aumentou “apenas”… OITO MILHÕES, totalizando R$10 mi. É inacreditável. É um amadorismo, uma irresponsabilidade, uma incompetência… Em qualquer lugar sério, alguém teria sido demitido. Mas o Clube está bem financeiramente, né?

Enfim, enquanto temos torcedores que se matam para defender jogadores irresponsáveis e que pouco estão se importando com o clube, temos um ídolo (quer dizer, O ídolo, O maior ídolo da história do Clube) que provavelmente está tão “feliz” quanto eu com o atual momento do São Paulo, em todos os setores. E vejo poucas pessoas se importarem com quem honra a camisa de verdade. Portanto, pelo que acontece desde 2013 (com uma breve pausa no segundo semestre de 2014), “proponho” a mudança de nome do Morumbi para Estádio Cícero Pompeu de Toledo Desculpa, Rogério. Se tem alguém lá dentro que não merece tudo isso, é Ele.

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