É estúpido e possível caminhar sem centroavante

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Alan Kardec e Luis Fabiano: um machucado e o outro com chance de deixar o clube
(Foto: Rodrigo Gazzanel/Federação Paulista)
Apesar de ser uma estupidez, é possível para o São Paulo seguir sua caminhada na temporada sem um centroavante de ofício. A saída de Luis Fabiano, que esteve próxima de se concretizar mais uma vez na última semana, reabriu novamente o debate sobre a importância dos camisas nove em um grupo. Sem dúvida, as diversas possibilidades táticas e técnicas de se jogar sem a referência provam sim ser possível manter-se bem sem essa peça, mas abdicar inteiramente de um jogador com tais características ainda me parece ser pouco inteligente.
Luis Fabiano sair ou não significaria muito pouco para o time do São Paulo. Para o clube, muito. Para o time, nem tanto. O São Paulo provou funcionar melhor sem ele, porém por diversas oportunidades precisou do centroavante para ganhar jogos. E justamente essa necessidade pontual é o que me faz defender um camisa nove no grupo, mesmo que na condição de opção.
Muitos podem argumentar as presenças de João Paulo e Alan Kardec no elenco são-paulino para minimizar uma saída de Luis Fabiano. De certa forma, é um argumento válido, porém frágil quando lembramos que Kardec está lesionado e com previsão de volta para outubro, quando restará menos de um terço do Campeonato Brasileiro. João Paulo, por sua vez, pode ser centroavante, assim como diversos outros, mas não é a sua praia. 
Claro que uma figura como Kardec, se disponível, não deixa nada a desejar para um Luis Fabiano hoje em declínio. Aliás, defendo a titularidade do jogador desde a temporada passada, quando ambos estavam em condições de igualdade. Como a situação agora é outra, não dá pra imaginar um planejamento de grupo que conta com um jogador machucado e uma promessa recém promovida que nem sequer é especialista na posição para ser esse cara de área quando necessário. Tenho certeza que Juan Carlos Osorio pensa de forma parecida, apesar de aparentemente ter desistido da briga contra as saídas.
Provável São Paulo no domingo (Imagem: Sérgio Ricardo Jr/SPFC1935)
Esse provável São Paulo que enfrenta o Sport no domingo é a prova do que digo: é possível seguir sem um camisa nove. No entanto, a teoria se diferente da realidade através da prática, e a prática nos mostra em diversas oportunidades que nem sempre é fácil criar. Sim, criatividade. Jogar sem centroavante exige muita criação, e não me refiro somente a jogadas. Falo sobre espaço, mais especificamente. Sem criação, a vitória fica mais distante, e muitas vezes é iminente apostar-se na “bola boa”, um recurso técnico pobre, porém funcional se a intenção é ganhar campeonatos. Para isso, a referência entra em ação.
Não resta dúvida que ficar sem um centroavante apto é uma atitude pouco inteligente do ponto de vista de planejamento de equipe, assim como é indiscutível a real possibilidade de jogar sem esse cara. O que entra em questão nisso tudo é a ação extremista de se abrir mão de uma possibilidade de jogo. Isso é o que não pode ser feito. Tudo é válido, menos ser estúpido. 
Nada contra Luis Fabiano, salientando. Acredito que ele, mais do que ninguém, deve pensar em si nesse momento. O São Paulo é que precisa se virar para ter um centroavante no grupo, seja ele Luis ou qualquer outro que chegue como peça de reposição. A coluna não tem a intenção de dizer que jogador X é indispensável, apenas de constatar a falha que seria não ter como opção apta um jogador de área, principalmente conhecendo as diversas singularidades do futebol brasileiro.
SÉRGIO RICARDO JR.

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