10 anos de uma epopeia

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Por Éder Moura – @eder_sp88
O tempo passa, e nem nos damos conta disso. Tanto que hoje,
14 de julho de 2015, completamos incríveis dez anos do tricampeonato da
Libertadores. Uma década daquela noite em que Rogério Ceni, Lugano, Cicinho,
Luizão, Amoroso, Júnior e cia. colocavam fim ao sofrimento de uma geração: a
minha geração, que não viu o mágico time de Telê e teve de aguentar o período
de vacas magras que se seguiu na segunda metade dos anos 90 e na primeira
metade  da década de 2000 (nada, porém,
muito diferente do que vivemos hoje, convenhamos).
Enfim, campeão: após período de vacas magras, Mito Rogério Ceni ergue a Libertadores (Lance)
Após a derrota na final da Libertadores de 1994, o São Paulo
entrou num ostracismo gritante. De 1995 a 2004, o Tricolor venceu apenas os
estaduais de 1998 e 2000, o Rio-São Paulo 2001 e o Supercampeonato Paulista
2002, além da obscura Copa de Master da Conmebol 1996. Como, principalmente no
começo do século XXI, o São Paulo sempre ficava entre os primeiros colocados em
quase todos os torneios que disputava, mas nunca era campeão, criou-se rótulos
como “time de amarelão”, “time de pipoqueiros”, impostos pela própria torcida.
Essa realidade começou a mudar em 2004. Naquela temporada, o São
Paulo voltava a disputar a Libertadores após 10 anos – exatamente desde o
fatídico 1994. A equipe lutou muito, foi guerreira, como nas oitavas de final,
contra os argentinos do Rosario Central, e chegou até as semifinais, quando foi
surpreendida pela zebra colombiana Once Caldas, que já havia eliminado o Santos
na fase anterior e derrotou o Boca Juniors na final. Mas aquele foi o início de
um novo capítulo vitorioso da gloriosa história tricolor.
Eis que veio 2005, e o São Paulo começou o ano faturando o
título paulista. Na Libertadores, passou fácil pela fase de grupos. Depois,
eliminou o rival Palmeiras nas oitavas de final vencendo as duas paridas, sendo
1×0 no Parque Antártica e 2×0 no Morumbi.
Ceni e Lugano foram símbolos da conquista (AE)
Ao passar pelos mexicanos do Tigres, nas quartas com
atuação de gala do Mito Rogério Ceni na partida de ida, veio o grande duelo: o
River Plate, nas semifinais. Após conquistar grande vitória por 2×0 no
jogo de ida, no Morumbi, o São Paulo foi a Buenos Aires e encontrou um clima de
guerra. Pedradas, arbitragem tendenciosa. Mas, mesmo assim, o Tricolor fez 3×2,
conquistando sua primeira vitória na Argentina pela Libertadores e voltando a
final após 11 anos.
A decisão foi a primeira da história entre dois clubes de um
mesmo país. O adversário era o Atlético-PR, que de tão surpreendente, nem ele
próprio imaginou que chegaria tão longe. Tanto é que se esqueceu de ler o
regulamento da final e não adaptou o seu estádio para receber pelo menos 40 mil
pessoas, como previam as regras da competição. E a partida de ida foi levada
para o Beira-Rio (algo que os paranaenses choram, sem razão, até hoje),
terminando em 1×1.
Eis que chegou o grande e inesquecível dia. 14 de julho de
2005, curiosamente, uma quinta-feira. Após quase 11 anos, lá estava
novamente o São Paulo, entrando em campo no Morumbi para decidir uma
Libertadores. Mas, ao contrário das outras duas decisões jogadas no Morumbi, em
1992 e 1994, naquela noite não teria drama. 

O São Paulo começou a todo vapor,
com chegadas perigosas de Luizão e Cicinho. Estava claro que o gol era questão
de tempo. E veio, aos 16 minutos. Luizão entrou rápido na área, tocou de
calcanhar para Danilo, que finalizou. O goleiro Diego bateu roupa e o camisa
10 passou para Amoroso, que tocou de cabeça para as redes: 1×0. O Tricolor
ainda criou grandes chances, com Cicinho e Danilo, mas foi o Atlético quem teve
a melhor oportunidade. No final do 1º tempo, o árbitro inventou pênalti do
zagueiro Alex em Aloísio (que viria para o Tricolor no mesmo ano). Mas o meia
Fabrício cobrou na trave, levando o Morumbi abaixo.

No 2ª tempo, era importante para o São Paulo marcar um gol
logo no início, para controlar melhor a partida. E ele veio. Aos sete minutos,
Cicinho cobrou escanteio, que Fabão desviou de cabeça: 2×0 São Paulo. A partir
dali, o Atlético entrou em colapso e o São Paulo tratou de cadenciar a partida.
Até que, aos 27 minutos, Jancarlos furou, Júnior pegou a bola, entrou pelo meio
e tocou para Amoroso. O camisa 9 invadiu a área e tocou para Luizão marcar:
3×0. Foi o suficiente para a equipe paranaense jogar a toalha, enquanto a torcida
tricolor já começava a comemorar o título – com direito a menção honrosa ao
mestre Telê. O clima já era de festa total no Morumbi, mas ainda havia mais.
Aos 43, Mineiro tocou para Diego Tardelli, que entrou na área, driblou o
zagueiro e tocou no canto do goleiro Diego, fechando com chave de ouro a
inesquecível noite tricolor: 4×0, igualando a maior goleada da história em um jogo de título da Libertadores.
Ali terminava uma era de sofrimento. A era pipoqueira dava
lugar a um dos períodos mais vitoriosos da
história são-paulina, que teve
sequência com a conquista do trimundial, no final daquele ano, e com os
incríveis três Brasileiros consecutivos, em 2006, 2007 e 2008 (quem vê as dificuldades do Cruzeiro atual tem uma dimensão da façanha que foi ter se
mantido no topo por tanto tempo). Infelizmente, nos vemos hoje em situação
parecida ao período anterior a 2005, com títulos totalmente escassos (apenas
uma taça nos últimos sete anos). Que a lembrança vencedora de 2005 inspire o
Tricolor a reencontrar seu verdadeiro caminho, o das glórias.
São Paulo 4×0 Atlético-PR
14/07/2005 – Morumbi (São Paulo)
Gols: Amoroso, 16’/1ºT; Fabão, 7′, Luizão, 27′ e Diego Tardelli, 45’/2ºT
São Paulo: Rogério Ceni; Lugano, Fabão e Alex; Cicinho,
Mineiro, Josué, Danilo e Júnior (Fábio Santos); Luizão (Souza) e Amoroso (Diego
Tardelli). T: Paulo Autuori
Atlético-PR: Diego; Danilo, Cocito e Durval; Jancarlos,
André Rocha (Alan Bahia), Fabrício, Evandro e Marcão (Fernandinho); Lima
(Rodrigo) e Aloísio. T: Antônio Lopes

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