Negócio da China e intercâmbios: novas oportunidades?

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A saída de Sérgio
Baresi foi anunciada essa semana, e compactuou com muitos torcedores que não gostavam
do seu trabalho no Sub-20, porém, ele será o técnico de uma nova novela do São Paulo
e suas “interações” com o futebol internacional, que a meu ver, são descabidas de
propósitos concretos, tratando-se apenas de negócios e políticas de bom relacionamento
entre dirigentes. 

Sérgio Baresi irá dirigir Sub-20
de clube chinês(Foto: Estadão)

Baresi será o técnico do Sub-20
no clube chinês nessa fase de intercâmbio, que pode contar com jogadores do clube
chinês passando alguns dias em treinamento no CT de Cotia, e nesse ínterim,
alguns jogadores que não estiverem sendo utilizados podem ser emprestados para
o clube chinês. Pode existir também a possibilidade de novas excursões do São Paulo,
dessa vez ao território chinês, durante a Copa do Mundo. Essas sãs as informações
que circulam, porém, quem está acompanhando há um certo tempo os interesses do São
Paulo, notará que nesse “negócio da China” existe um atacante que muito interessa
ao São Paulo: Vágner Love.

Quem está no lugar de Baresi
O técnico Menta,
como é conhecido Clementino Fonseca Aguiar Júnior, está nas categorias de base do
clube desde 2008. Com os jovens são-paulinos, venceu a Future Cup Sub-17 e a Copa
do Brasil Sub-17, ambas em 2013 – foi também vice-campeão Paulista sub-15 em 2011.
Menta atuou como jogador do Tricolor na década de 90, quando integrava o time de
Telê Santana como zagueiro. 



Interesses mútuos
Com a parceria, o São Paulo busca ampliar o crescimento da marca do clube internacionalmente,
tal como aconteceu durante esse ano, nas excursões e jogos vexatórios, que nos garantiram
a Copa Eusébio. Com esse intercâmbio, o time chinês, que vem sondando Luis Fabiano
há um certo tempo, se aproxima mais dessa realidade, tal como o São Paulo se aproxima
de Love.

Realmente precisa?

Vagner Love vem sendo cogitado há muito tempo
pelo São Paulo (Foto: Globoesporte.com)

Agora pergunto, existe de fato a real necessidade de buscar talentos na China? Quem
é na história toda o formador de craques? O exportador de talentos? Nos últimos
tempos estamos errando feio numa coisa simples: se você tem uma base de jogadores,
eles precisam amadurecer. Precisam de chances para conquistar seu espaço e talvez
virarem nossos novos ídolos. Porque idealizar esse intercâmbio para a China, um
país com pouca ou quase nula visibilidade? Por que não amadurecê-los aqui nos nossos
campeonatos regionais?

O maior absurdo do nosso clube é buscar jogadores fora. Gastamos MUITO com
a base. O CT não é referência a toa, possui uma estrutura de invejar europeus. Mas…
e daí? Estamos extraindo o que de todo esse investimento? Onde estão os garotos
da base? Inserí-los nessa dimensão de futebol chinês pode ser bom? Pode fazer com
que talvez nos rendamos ao amadurecimento no exterior para chegarem aqui maturados
para a fogueira? Não sei. Não correria esse risco novamente, após um ano de tantos
tropeços. Seria mais engenhoso lucrar mostrando os talentos aqui. Isso por si só
levaria o nome do clube longe. Existem muitas oportunidades para isso. Torneios
de categoria de base existem muitos. Não existe mais a estratégia de revelar? Não
podemos nos contentar em ter um meia de 40 anos destaque do Campeonato Brasileiro.
Um goleiro de 40 anos com vários seguidores pedindo de joelhos por sua permanência.
Um holandês que fala grosso e tem autoridade como o destaque do clube. Vale lembrar
que não tenho nenhuma oposição a tudo isso. PRECISAMOS de referências. Mas quando
um campeonato com a riqueza de um brasileiro tem como destaque APENAS os veteranos,
é de se pensar. E não fazer mais negócios da China.

Por: Aretha Freitas
Twitter: @arefreitas

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