Ex-goleiro, pai de Ceni lembra dúvida do filho sobre escolha da posição

0
21

Seu Eurides recorda da indecisão do jogador, os conselhos do início de carreira e primeiro título de Rogério antes de chegar ao São Paulo

Seu Eurides Ceni, pai de Rogério Ceni,  também
atuava como goleiro (Foto: Reprodução SporTV)

Aos 40 anos, Rogério Ceni acabou com o mistério e optou por adiar a aposentadoria e seguir nos gramados. Assim, em 2014, ele completará 24 anos como funcionário do São Paulo, clube onde chegou aos 17 anos. O jovem ‘desconhecido’ vindo do Sinop, time do Mato Grosso, acabou se tornando ídolo no Tricolor Paulista, uma relação de amor que pesou na hora de decidir renovar contrato e estender a carreira. No início, Ceni tinha dúvidas entre atuar no gol ou na linha. Acabou decidindo por atuar na mesma posição do pai, seu Eurides Ceni, história relembrada no “SporTV Repórter” (assista ao vídeo).

– No comecinho, falei pra ele se definir, porque ele jogava no gol e fora do gol, no gol e fora do gol. E brincava bem fora do gol. Aí disse a ele: você tem que optar ou jogar na linha ou se fixar como goleiro. Ele achou melhor ficar como goleiro, mas você vê que ele bate bem – contou.

O talento com os pés, segundo ele, explicam as dúvidas de um menino que apenas sonhava em se tornar jogador. Não é à toa que o goleiro, além de ser artilheiro (soma 113 gols), às vezes arrisca jogadas mais elaboradas, como no dia em que, ao dominar a bola, resolveu dar um chapéu no adversário, no duelo contra o Náutico, pelo Campeonato Brasileiro.

– Tem zagueiro que não faz isso e ele fez com tanta naturalidade – elogiou o pai.

Quando Ceni decidiu se tornar goleiro, recebeu dicas do pai, parceiro também no futebol que rolava no quintal de casa nos finais da tarde de domingo, como lembra o ídolo são-paulino.

– Meu pai foi a a pessoa que me apresentou o futebol, que jogava no quintal de casa comigo, que ficava no gol para eu chutar, que chutava para eu ficar no gol. Não pelo fato de ter sido goleiro, mas por ser um apaixonado por futebol, por gostar tanto de futebol, ele sempre me incentivou. Nunca quis que eu fosse um atleta profissional, as coisas aconteceram naturalmente, mas ele sempre foi um grande parceiro que tive no dia a dia do futebol – contou.

Seu Eurides acompanhou tudo, dos primeiros passos no Sinop, ao único teste no São Paulo. Rogério precisou apenas de uma oportunidade para mostrar valor e ser aprovado. Antes de chegar ao Tricolor, ajudou o time mato-grossense a conquistar o primeiro título estadual da sua história, em 1990. Só assumiu a titularidade porque os outros dois goleiros se machucaram e, logo na estreia, pegou um pênalti. Ali, já enchia seu Eurides de orgulho.

– O Sinop foi o primeiro clube do interior a conseguir um título estadual. Até então, nenhum time do interior tinha conseguido, os títulos ficavam sempre na capital, como na maioria dos estados. Naquele ano aconteceu de o Sinop ser campeão – recordou.

A oportunidade de atuar no clube da cidade, para onde a família mudou em 1985, surgiu em 1989, mas acabou adiada. Para defender a equipe, Ceni, ainda muito jovem, teria de abrir mão do emprego em uma agência bancária.

– Ele foi convidado para ser o terceiro goleiro do Sinop, mas naquela oportunidade trabalhava no Banco do Brasil. O campeonato tinha durabilidade de quatro meses. Queriam que ele saísse do banco para ficar como terceiro goleiro, aí não concordei. E depois de quatro meses, ia fazer o quê? – lembrou.

No ano seguinte, ele aceitou e, além de se tornar titular e ser campeão, Rogério Ceni começou a escrever seu nome no futebol e na história da cidade, que hoje atrai muitos fãs do goleiro. No Memorial Rogério Ceni, estão guardadas lembranças da carreira do jogador, que nasceu em Pato Branco (PR), mas cresceu na cidade do Norte do Mato Grosso, que o tem como um filho. O campeão pelo Sinop viraria um colecionador de títulos, entre eles um mundial, duas libertadores e três brasileiros, todos com a camisa do Tricolor Paulista.

FONTE: GLOBOESPORTE.COM

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA