365 dias para idolatrar Rogério Ceni

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Antes de começar, gostaria de agradecer ao convite e oportunidade de escrever no SPFC 1935. E claro não poderia esquecer de deixar os meus parabéns ao São Paulo Futebol Clube, que completa 78 anos, tão jovem e rico de histórias.

Ceni em visita ao Real Madrid (Foto: Site Oficial do Real Madrid)

Nessa minha coluna de estreia, pensei vários temas, mas, não consegui fugir do tema, por ainda que esteja um pouco ultrapassado, sobre a renovação do Rogério Ceni. Gostaria de prestar uma pequena homenagem falando um pouco de sua trajetória.

Ano de 1973, precisamente na data de 22 de janeiro, nascia no interior do Paraná, Rogério Ceni, mudou-se ainda muito novo para o Mato Grosso onde viveu boa parte de sua infância e adolescência. Os anos iam se passando e Rogério iria se tornando uma pessoa comum que começa a trabalhar jovem e atuava como goleiro no clube da cidade, ainda muito comum nos tempos de hoje nessa região.

Mas, eis que o destino começa a escrever a história vitoriosa desse adolescente em Sinop. Terceiro goleiro na época do clube do interior acaba vendo o titular e reserva se contundirem, a partir daí começa a escrever a sua mais rica história, aliás, já fazendo história ao conquistar como titular o inédito título estadual do clube, feito elevado na época, pois nunca um time do interior havia conquistado.

Logo após o feito, Ceni vem a São Paulo realizar testes no clube do Morumbi e logo de cara é aprovado e assina contrato com seus 17 anos, ficando como quarto goleiro da equipe. Os anos foram se passando e 1993 conquistou a Copa São Paulo Júnior e passava a ser reserva de Zetti na campanha da conquista do bi-campeonato da Libertadores e Mundial. Sempre batalhador Rogério fez sua estreia como titular no profissional no mesmo ano e em Compostela, na Espanha, onde acabou pegando um pênalti, no duelo vencido por 4:1.

Predestinado, Ceni fez parte do chamado “expressinho” onde conquistou seu primeiro título internacional, a Copa Conmebol. Em 1996, o ainda “Rogério” ganhava a titularidade no São Paulo e começava a escrever a história de um dos maiores ídolos do clube.

Rogério, sempre muito rápido nos feitos, não demorou em mostrar suas habilidades com o pé e logo em 1997 abriu a contagem para os seus mais de cem tentos. Um jovem ainda na época que já se mostrava de personalidade forte e acabou praticamente fechando as portas de participar da Copa de 1998, ao não aceitar brincadeiras na seleção.

Nem tudo são flores nesta caminhada… Ceni já foi muito contestado pelo torcedor várias vezes, falhando em horas decisivas, mas, persistente ele continuava e trabalhava ainda mais do que todo seus companheiros.

Na sua primeira Libertadores como titular, teve o azar de acabar falhando naquela fatídica semifinal em 2004 que o fez reviver o fantasma das falhas, mas vencedor que é ele levanta a cabeça e trabalha ainda mais forte para se recuperar.

Ceni ergue taça do Mundial de Clubes em 2005
Foto: Jovem Pan

E que recuperação, um ano impecável de 2005, onde conquistou a Libertadores com seus vários gols e o Mundial com as suas mais belas defesas, que o mundo jamais se esquecerá e vai sempre se perguntar – quem fez essa muralha?.

Muralha essa que irrita rivais, para o bem ou para o mal. Talvez porque ele não fez questão de ser um ídolo de todos ao jogar numa seleção brasileira, e sim, fez questão de ser apenas amado por uma nação de pouco mais de 17 milhões.

Já respeitado e consolidado na história são-paulina, Ceni profissional exemplar que é mantém sua postura de ser o primeiro a chegar e o último a sair do CT e isso o faz a começar acumular recordes, agora na história do futebol mundial.

A começar se tornando o maior goleiro artilheiro do mundo em 2007 e chegando aos impensáveis para muitos, os cem gols na carreira em 2011. Gol esse que vai durar por mais de 100 anos e com um sabor especial que muitos são-paulinos já vão retirar da retina dos olhos aquela cobrança de falta perfeita na vitória que quebrava o jejum de vitórias sobre o rival, Corinthians.

Um ano depois, Rogério sofre com uma operação no ombro, onde fica parado por seis meses. Diferente, ele trabalha irritantemente para voltar ainda melhor e continuar a escrever sua história no clube que assumiu o compromisso de se dedicar somente na vida por mais de vinte anos interruptos, porque ele faz o São Paulo ser parte dele.

Mais precisamente vinte e três anos neste ano de 2013, onde sofreu com a pior crise da história do tricolor, coincidentemente e predestinado a fazer parte do clube, ele participa (negativamente é verdade), porque o São Paulo é parte dele.

Talvez ofuscado pelo momento, Rogério chega aos mil jogos com a camisa de um único clube e como a contagem não pára, ele ultrapassa o Pelé e crava ainda mais seu nome na história do futebol mundial ao se tornar o jogador com mais jogos com uma única camisa.

E seguirá contando, porque ele é teimoso, talentoso, vencedor e vai seguir quebrando recordes, sei que na primeira falha a maioria irá criticar e falar que devia ter se aposentado. Mas ele chato, irá trabalhar ainda mais e irá nesses próximos 365 dias que renovou seu contato, continuar sendo o profissional e ídolo de todo torcedor do São Paulo.

O tempo irá passar e aos poucos teremos que nos contentar que a cada badalada que os sinos derem no Morumbi em sua entrada, é porque está chegando à hora daquele adeus, que jamais queríamos imaginar. No final das contas, com o passar dos anos seremos apenas testemunhas de Rogério Ceni.

Testemunhas de um goleiro que têm mais de mil jogos, mais de cem gols, mais de dez títulos internacionais, tantos números para apenas resumir no número que ele sempre vestiu, talvez por destino, pois só uma palavra bastará para resumi-lo: MITO!

Por: Diego Schnellinger

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