Ney Franco sente agora o lado negativo de treinar o São Paulo

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Por: Sérgio Ricardo Jr.
Twitter: @sergioricardorn

Ney Franco (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)
Nem mesmo em seu começo estabanado Ney vivenciou a pressão que vive hoje. Não é, ainda, uma pressão forte. Não se aproxima nem um pouco da que Emerson Leão sofreu desde seu primeiro dia no clube. Nas palavras, gestos e atitudes, percebe-se que Ney está assustado. Idealizou um começo de ano bem diferente.

Antes do primeiro jogo no ano, discutia com um amigo o rumo do tricolor sem Lucas. Em um primeiro momento, sabia que Ney não abriria mão de Jadson, por tudo que o meia representa positivamente para o esquema de jogo. Por outro lado, ter Ganso no banco e uma vaga em aberto no time era, sem dúvida, a opção mais lógica. Dois meias e um time mais cadenciado e consistente. A contratação de Lúcio fez ressurgir a possibilidade do time voltar a ter um esquema com 3 zagueiros – particularmente, vejo como melhor solução para o momento instável e caótico da defesa – e como, enfim, se armaria a equipe. Até aí, tudo isso era considerado ‘bom problema’. Como sabemos, não existe problema bom.


Tudo mudou a partir do momento que Ganso não rendeu. Caminha, tenta, mas não engrena. Não cobro velocidade, marcação ou combatividade de Ganso. Ele nunca fez isso, não é agora que fará. É o mesmo jogador que era no Santos, mas agora sem força física e dedicação. O que falta a Ganso não é ritmo, técnica. Falta vontade mesmo, dedicação. Não para correr atrás de toda bola que perder, mas para participar do jogo não só com o seu último e, inegavelmente, passe preciso.

Ney, mesmo sem ser o único responsável pelo mau momento, diga-se de passagem, contribui por ser teimoso. De maneira erronia, colocou na cabeça que o São Paulo é dependente do 4-2-3-1 e sequer discute a possibilidade de mudar novamente, mesmo claramente sem peças para manter o esquema atual. Negueba e Wallyson, que sequer estrearam – vejam a situação – já fazem falta. Com eles sim, Ney poderia se fechar na ideia de jogar somente de uma forma. Hoje, indo contra tudo, não.

Há 8 meses Rhodolfo não vive bom momento. Já falei e muito isso aqui, desde quando elogiei a contratação de Rafael Tolói – a melhor contratação do São Paulo nos últimos anos – até dias atrás, ao fazer um balanço da equipe antes do jogo contra o Atlético-MG. O zagueiro – que não é ruim – comete falhas sucessivas e todas da mesma forma. Apesar de tudo, não vejo o time sem ele. Vejo com ele, Tolói e Lúcio. Sim, 3 zagueiros. Por quê  não? Já jogamos com Paulo Miranda, que é uma piada, e dá certo. Rhodolfo, apesar do péssimo momento, é infinitamente superior a Paulo Miranda.

Acredito em Ney Franco, sei que cedo ou tarde ele encontrará uma formação ideal e espantará assim a pressão que começa a se criar em cima de seu trabalho. Treinar o São Paulo não é fácil, apesar de parecer. A torcida é conhecida pelo laço afetivo que possui com treinadores, logo, a referência é sempre maior. Saber lidar com pressão e não se assustar com isso é uma das funções a mais do cargo no clube. Teimosia é um atraso na vida de qualquer um. O Campeonato Paulista está aí justamente para fazer testes. Agora, desde que sejam testes com algum sentido lógico. Não descartaria um esquema com 3 zagueiros e nem com 2 meias. Ainda dá, tem tempo. Se fechar para novas formas de jogo não me parece um bom caminho a seguir. Para cumprir a cota de um clichê por texto, digo: o pior cego é aquele que não quer enxergar. Desejo sorte ao Ney, ele vai precisar.

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