Camisa 10 da vida

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A coluna de hoje será um pouco diferente.

Geralmente eu falo aqui sobre a semana do São Paulo, sobre o jogo anterior, o próximo jogo, mas vamos ser realistas: jogos contra os campineiros são sem graça.

Vou poupá-los de comentários estatísticos ou do posicionamento do Cañete no segundo tempo do jogo contra a Ponte.

No dia de hoje, há 52 anos atrás nascia Luiz Aparecido Leite. Pra quem acha que foi algum camisa 10 tricolor está enganado, mas foi o camisa 10 da minha vida. O melhor camisa 10 do mundo. Um craque.

Mini-Renan e O CARA 🙂

Esse cara foi meu pai, que me deixou em 2000. Ficaram a saudade e as boas lembranças. Mas uma coisa que não ficou foi o amor do meu pai pelo Corinthians. Graças a Deus (desculpa, pai!).

Na infância sempre fui um fanático por futebol, e a partir de 1993 aquele time das 3 cores me chamou a atenção. Mas via jogos de outros clubes, seleção brasileira, enfim, futebol tá no sangue desde a infância.

E por influência de seu Luiz, jogos do Corinthians na tevê eram prioridade nos fins de semana.
Meu avô, um palmeirense de quatro costados, vivia com saudades daquele time dos verdes dos anos 70, a última Academia. Fez os 4 filhos palmeirenses, e apenas 2 dos 9 nestos (dessa eu me livrei, também).

Meu avô, seu Jesus e meu pai eram muito brothers (como diz nesse linguagem jovial de hoje) e lá pelo ano de 1994 ou 1995, meu avô resolveu dar uma forcinha para o meu pai junto a mim: me deu uma camisa dos caras da Leste.

Olhem que absurdo.

Eu, uma criança pobre e indefesa sendo presenteado com aquilo.

Mas eu era novo. Recusar presente é feio. Era são-paulino mas ainda queriam me fazer virar a casaca. Camisa do São Paulo que é bom, ninguém me dava.

E por uma obra do acaso, vesti a camisa dos caras. No auge dos meus 4 anos. Camisa 10. Sei lá quem era.

Seu Jesus e seu Luiz tentaram. Mas felizmente não conseguiram.

1995, é o ano que eu lembro pela primeira vez na vida tendo gritado: SÃO PAULOOOOOO.
Era final da Supercopa do Campeões Mundiais. São Paulo campeão nos penaltis contra o Santos. A partir dali não tinha mais o que fazer.

Ano seguinte ganho minha primeira camisa: número 1, vermelha, da Adidas, com autógrafo do Zetti (que já vinha na camisa e anos mais tarde, graças ao brother Celso, o Zetti fez um autógrafo de próprio punho nela). Camisa dada pela minha avó. Melhor presente do mundo.

São curiosidades pessoais. Uma histórica bacana envolvendo esse grande cara que foi meu pai.

Onde quer que ele esteja, tá lá feliz pelo time que eu escolhi torcer, sei disso.

E o que sempre digo a todos é que, se eu for 10, 15% do pai que ele foi pra mim, serei um cara realizado.

Tive um pai extraordinário e torço pro melhor clube do mundo.

Impossível não ser feliz assim.

Orgulho do meu camisa 10.

Saudações Tricolores

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