Apenas mais uma história do futebol

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Ex-amores são complicados, alguns especiais, outros inesquecíveis ou desprezíveis, depende do ponto de vista, depende de qual lado é o seu olhar. A separação é um passo muito importante, realizado quase sempre com cautela e tristeza, afinal, é de uma relação íntima que estamos falando. E tudo que é íntimo mexe com o coração, mesmo que uma das partes negue, se fazendo de forte, mexe. Poses e palavras frias não significam falta de importância.

Após os tramites da separação, cada um segue sua vida, uns felizes, outros tristes, ambos decepcionados. Até que, inevitavelmente, algo que os humanos acreditam desacreditando (destino) apronta e faz com que ex-amores se cruzem, quebrando assim a barreira da distância imposta pelos papéis da separação. Convenhamos, é sempre constrangedor encontrar algo que já foi parte de sua vida, ou totalmente a sua vida, e hoje não é nada além de lembranças.

E lembranças conturbadas. Memórias de um início difícil, quando nosso personagem sofreu na mesa de cirurgia e o ex-amor, como fazem todos os amores, estava ao lado, apoiando, bancando, amando. Lembranças de uma volta lenta, cadenciada, típica do nosso personagem. Alguns passos na direção certa e o ex-amor sentia que ali começara uma relação feliz, estável e, no ápice do momento, eterna. O auge… Como é bom chegar lá. Várias vezes então, nossa, qual relação não dá certo assim? Qual?

E em um dos vários clichês encontrados facilmente no Google ou em um Facebook qualquer, a frase: ”Quanto mais alto se chega, maior é a queda”. Como mágica, uma relação estável com clima de lua de mel se estremece. Nosso personagem estava novamente inútil, machucado, precisando de atenção. Atenção essa outrora fornecida, agora negada. Talvez – e digo o talvez com muita certeza – se o tratamento do ex-amor fosse igual ao que deu no passado, esse texto jamais estaria sendo escrito, essa história jamais seria contada.

Crises tem uma razão e um fim. Relacionamentos estão sempre expostos. A idade chega, o amor diminui em alguns casos, outro amor surge e causa ciúmes. E daí, o que antes parecia loucura imaginar, acontece: o amor acaba. Existe alguém, outro alguém. Mais disposto, menos problemático, mais agregador, mais caro e, mesmo assim, mais querido. Como um carro desgastado, usado e abusado, nosso personagem entende a situação e sabe que acabou. Foi trocado, já não é querido, não serve mais.

Se você é traído, existem várias opções de reação, algumas aceitáveis, outras loucas. Nosso personagem procurou a mais simples. Resolveu mudar, e conseguiu. O carro desgastado, na pior das hipóteses, é semi-novo, tem gás, ainda pode ajudar alguém, só não mais o ex-amor. Eis que uma nova paixão aparece e um novo casamento acontece.

Meses depois, quando tudo se encaminha para um novo rumo, novas perspectivas, desafios sendo superados e com um sorriso no rosto, nosso personagem é obrigado a passear pelo litoral paulista. Não estranhamente, volta ao lugar onde viveu sua maior paixão. E de repente, não mais que de repente, lá está sua ex-vida, seus ex-amigos, seu ex-amor. Além de tudo, alguém está em seu lugar, e não é o mesmo que ocasionou o fim de seu antigo relacionamento. É outro. O causador da separação permanece, e agora possui nova companhia. Esse fala espanhol, tem pinta e cheiro de um grande novo amor. Percebe ali que nunca fez falta, que jamais sentiram sua não presença.

Nosso personagem pára, pensa: ”Também estou bem, feliz, mesmo que digam e pensem o contrário. Quem são eles para esfregar tanta felicidade assim na minha cara? Sou grande, superei coisas piores. Sei o que sou e onde posso chegar. Preciso que saibam disso de alguma forma e só posso demonstrar de uma maneira. Sabe de uma coisa? Me dá uma bola e um companheiro bem colocado, faço dele o melhor desse país. Tenho capacidade, não devo nada a esse gringo. Estou em nova companhia, bem melhor, posso provar. Se tiver chance, vocês vão perceber o que perderam. Sou bem melhor que esse cara, ele jamais fará o mesmo que eu fiz por você, meu ex-amor. Você querendo ou não, estou preso em suas melhores lembranças. Nas fotos, no salão onde guarda suas conquistadas joias, lá estou eu. Joias essas que eu ajudei a colocar ali. Você pode duvidar, mas estou feliz. Também sou capaz de encontrar felicidade em outro relacionamento.”

História ou estória? Eu sei que vocês não precisam de fotos ou nomes para compreender. Domingo, todos  saberão como terminará, de uma vez por todas, essa confusão que envolve cada um de nós são-paulinos.

Por: Sérgio Ricardo Jr.
Twitter: @sergioricardorn

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