Lesões recorrentes e a hipocrisia no futebol brasileiro

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Por Sérgio Ricardo Jr. (@sergioricardorn)

Problemas físicos recorrentes acontecem por diversos motivos, de falhas genéticas a esgotamento corporal devido a intensa maratona de jogos. Muitos de vocês já devem ter ouvido ou lido reclamações sobre o calendário brasileiro. Realmente é apertado, lotado e, muitas vezes, desumano. Entretanto, não podemos esquecer que os clubes e os atletas, que são exclusivamente os que sofrem, concordam com o planejamento, tanto que assinam um documento todo início de temporada se mostrando sabedor de tudo, ou seja, são coniventes com a organização da confederação. Não reclamam quando tem que reclamar, apenas quando convém. Jogam para a torcida que a culpa é exclusivamente da CBF, sendo que clubes e atletas não se manifestam contra por ter o ”rabo preso”.

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Para nós, torcedores, quanto mais jogos melhor. Para os clubes, principalmente os de grande porte, idem. Afinal, arrecadam dinheiro para financiar todo o sistema de direção. Os atletas sofrem as consequências de formarem uma classe totalmente desunida. Carreiras que pareciam promissoras são praticamente encerradas por esgotamento físico, lesões etc. Atletas consagrados não conseguem render o mesmo depois dos 30 anos. Reflexos de tudo isso, de uma grande hipocrisia futebolística. Luis Fabiano, Valdívia, Rhodolfo, Fabrício, Ganso, Jorge Henrique, dentre outros. Todos os citados sofrem com problemas físicos recorrentes. Ganso, Valdívia e Fabrício, por exemplo, sofrem pela genética, pois são atletas que convivem com lesões desde muito jovens, talvez por não serem tão resistentes quanto os demais. Luis Fabiano, Jorge Henrique e Rhodolfo, por outro lado, são exemplos de desgaste pelo calendário inchado e da falta de tempo necessário na recuperação.

Não precisa estudar medicina para saber que lesões são como feridas e demoram a cicatrizar. É necessário tempo e tratamento adequado. Não existe isso hoje, existe pressa, somente pressa. A torcida, convenhamos, também não ajuda. A cobrança sobre o departamento médico dos clubes é gigante, exigem dos profissionais coisas que eles não podem fazer. Estudos apontam que a medicina esportiva brasileira é a melhor do mundo hoje. Não vejo isso como algo bom, afinal, só se desenvolveu tanto devido ao grande número de problemas cada vez mais complicados.

Divulgação

Todos que fazem o futebol são culpados de alguma forma. Os clubes não tem o direito de reclamar de algo que concordam, direta ou indiretamente. Os jogadores no Brasil, ao contrário do que acontece em outros centros esportivos mundiais, como na Itália, por exemplo, onde o sindicato dos atletas para o campeonato quando necessário, pagam o preço de serem desunidos. A torcida tem todo o direito de cobrar, mas também precisa ser paciente em alguns casos. Enquanto os clubes não se mobilizarem em busca de mudança, a situação só tende a piorar. E o engraçado é que na próxima temporada o calendário aumentará, assim, como se já não estivesse extremamente lotado. Os clubes que disputam a Libertadores também entrarão na Copa do Brasil. A tradicional Copa do Nordeste também está de volta. É dessa forma que vamos melhorar? Nesse esquema, a carreira de um atleta profissional será cada vez mais curta.

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