Bastidores: Entrega do alvará. Detalhes de um dia histórico!

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Saudações Soberanas! Como prometido, hoje falarei, com detalhes, como foi o grande evento organizado pelo São Paulo para a entrega do alvará que autoriza, oficialmente, o clube a iniciar as obras tanto de cobertura do estádio como da criação da “Arena25”. O texto ficou longo, mas muito bacana. Está dividido em tópicos, pois muitos fatos marcaram esse 2 de outubro de 2012, que, para tornar o dia histórico ainda mais especial, foi aniversário de 52 anos do nosso Sacrossanto, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

A cobertura do SPFC1935
Foi confiado a mim e ao Fábio Machado, também integrante do SPFC1935, a agradabilíssima missão de cobrir um evento tão importante como esse. Saí de Santos e me encontrei com o Fábio no Habbib’s da Francisco Morato. Nos posicionamos em um lugar ótimo, já que chagamos 10h50min (o evento estava marcado para começar às 11h30min). Fomos presenciando o (maravilhoso) Salão Nobre ficar cheio, até que, por volta das 12h, chegam as autoridades e teve início o momento histórico.

Foto: Fábio Machado/SPFC1935

Início
Com a presença de autoridades e personalidades Tricolores, como o Prefeito Gilberto Kassab, o vice-Governador Guilherme Afif, o Presidente do SPFC Juvenal Juvêncio, o Patrono, Benemérito e ex-Presidente do clube Laudo Natel e o Conselheiro e Vereador Marco Aurélio Cunha, o evento começou com JJ discursando. Um discurso muito bom por sinal, mas ao “estilo Juvenal” de falar. Não foram poucos os momentos em que todo o Salão caiu na gargalhada com suas palavras.

Discurso de Juvenal Juvêncio
Nas partes sérias, Juvenal ressaltou a importância do evento para lembrar a grandeza do São Paulo. Destacou (e muito, com toda a justiça) o grande Laudo Natel, que aos 92 anos, se mostra muito bem. Juvenal lembrou a modernidade do estádio do Morumbi, fazendo a análise que, se fosse projetado para ser construído hoje, seria exatamente como é, mesmo aos 52 anos. Disse que, mesmo sem o alvará, o clube já trabalhava fortemente no projeto, completando todas as etapas que independiam da autorização do governo. Lembrou que a obra custará R$300 milhões. Aproveitou para “pressionar”, categoricamente, o Prefeito para que libere a construção também do Hotel, que ficará em frente ao estádio, destacando a importância também para a cidade.

Foto: Fábio Machado/SPFC1935

Presença do M1TO
Ao término do discurso inicial do Presidente do São Paulo, o locutor convoca a presença do M1TO Rogério Ceni para presenciar esse momento marcante. Elegante, Rogério entra, abraça o Presidente, cumprimenta a todos da bancada e se dirige ao seu lugar. Ao passar de volta por Juvenal Juvêncio, o mandatário Tricolor o segura e diz: “Quando eu falo que o São Paulo é diferente, é porque até o atleta usa gravata”. Rindo, Rogério se senta.

Discurso de Gilberto Kassab
Em seguida, o Prefeito da cidade tomou a palavra. Se declarou São-Paulino, como é de conhecimento geral, e disse que a cidade de São Paulo perde cerca de 17 a 19 shows por ano (!) devido à falta de estrutura para recebê-los. Disse também que a cobertura e a Arena são um sonho não só do clube São Paulo, mas também da cidade. Encerra com a frase: “O cargo público é temporário, mas a paixão pelo São Paulo é para sempre”.

Entrega do Alvará
O momento mais esperado do dia chegou após o discurso do Prefeito da cidade de São Paulo. Kassab entregou a Juvenal Juvêncio o alvará que libera o São Paulo para começar as obras no Morumbi! Muitos aplausos dos presentes e largos sorrisos dos envolvidos.

Foto: Rubens Chiri/Site Oficial

Discurso de Guilherme Afif
Afif também se declarou Tricolor, mas foi mais direto. Imitou Juvenal (e bem!) e se colocou à disposição, em nome da prefeitura, para “enfrentar a briga”, visando dar ao São Paulo a autorização de construção de um hotel e um novo museu, em frente ao estádio.

Bela homenagem a Peixinho
Peixinho, ídolo do clube e autor do primeiro gol da história do Morumbi, foi chamado à frente para receber um belíssimo quadro, que retrata o momento de sua cabeçada para o gol e para a história, além de receber das mãos do M1TO uma linda miniatura de bronze do Morumbi, gravado com bonitas palavras.

Discurso de Laudo Natel
Visivelmente emocionado ao lembrar de toda a trajetória da construção do Morumbi, Laudo Natel retribuiu, com classe, todas as palavras proferidas por Juvenal Juvêncio em sua homenagem. Ele contou todo o esforço que foi construir o Morumbi, declara que o estádio foi “erguido através de ideias e vontade” e, com muita ênfase, declarou que o Morumbi não recebeu nenhum centavo público e não criou nenhuma dívida. Disse que, ainda mais para a época, esse fato é fantástico. Ainda mais emocionado, Natel diz: “O Estádio leva o nome de um grande São-Paulino, com justiça, mas se fosse ter um sobrenome, o Morumbi se chamaria ‘Fé e Perseverança'”. Terminou lembrando que um importante diretor da FIFA esteve em Cotia e declarou que “o CFA de Cotia é um dos três melhores centros do mundo”. Encerrou aplaudido de pé por todos presentes.

Foto: Fábio Machado/SPFC1935

Entrevista coletiva
Ao final de todos os discursos, foram liberadas as perguntas da imprensa. Algumas coisas chamaram muito a atenção. Uma foi a pergunta do Alexandre Praetzel, da Rádio Bandeirantes, para JJ. Ao ser questionado sobre o motivo do Morumbi estar fora da Copa do Mundo, Juvenal disparou: “Todos que estão no meio (se referindo ao Jornalismo Esportivo), como você, sabem que a única razão para o Morumbi ter ficado fora da Copa chama-se Ricardo Teixeira!”. A partir daí, uma série de fortes (e justas) críticas foram disparadas contra o ex-Presidente da CBF. Frases como “quem é que não entende que a gestão dele foi nefasta?” e “Ricardo não gosta de futebol, não entende nada e nem sabe o nome dos jogadores. Ele era um homem da Bolsa de Valores, não tem nada a ver. Se casou com a filha a Havelange e virou Presidente, mas ele não é do meio. Jogador transpira, ele não gosta disso…” foram ditas por JJ. Questionado de onde virá os dinheiro da obra (R$ 300 milhões) e quanto sairá dos cofres do São Paulo, Juvenal foi claro, aproveitando até para cutucar o Corinthians: “Dos cofres do São Paulo sairá zero! E dos cofres públicos… sairá zero! Quer saber de onde virá o dinheiro? Está aqui, o Diretor da mundialmente respeitada Andrade Gutierrez, nossa parceira (apontando para o Diretor, sentado na primeira fileira)”. Já no final, após ser perguntado se continuaria ou não no poder ao término de seu terceiro mandato consecutivo, Juvenal responde, de maneira irônica: “A minha figura incomoda tanto assim? Vocês sentirão saudade de mim”.

Encerramento e pós-evento
Após o encerramento do evento, Juvenal Juvêncio, Rogério Ceni e mais alguns presentes conversaram com a imprensa. Estive perto para acompanhar, gravar e ouvir o máximo que pude. Juvenal garantiu que os protestos contra ele foram fatos isolados, após ser questionado, por Paloma Tocci, da TV Bandeirantes, se a modernização do Morumbi, junto com a vinda de Ganso, trariam a torcida de volta ao seu lado. Rogério deixou no ar seu futuro, mas sempre dando a entender que essa deve (mas não necessariamente vai) ser sua última temporada. Mas duas respostas me deixaram menos triste em relação a isso. “Pode ser, sim, minha última temporada, claro, mas isso independe de vaga na Libertadores”. Essa declaração veio após ser questionado exatamente assim: “Rogério, a gente pode estar vendo sua última temporada, principalmente se não conseguir uma vaga na Libertadores?”. O M1TO sempre deixou claro que o time brigará nas duas frentes pelo seu objetivo no momento, que é a vaga na Copa Libertadores do ano que vem. Garantiu que o pensamento é esse e que todos no clube devem pensar assim, mas disse que time precisa “melhorar muito” para ganhar o Torneio Internacional.

Contato com o M1TO
Para mim, em especial, foi emocionante poder falar, cara a cara e a sós, mesmo que por alguns segundos, com o maior ídolo que tenho e finalmente realizar algo que tenho obsessão desde os 16 anos: agradecê-lo por tudo. Ao passar por mim, o chamei e o diálogo foi o seguinte:
Gabriel Perecini: “Rogério, por favor, me responde uma pergunta.”
M1TO: “Claro, pode falar”.
GP: “Eu queria saber, curiosidade e desejo pessoal mesmo: você já pensa em renovar o contrato?
M1TO: “Não, não… ainda não penso.”
GP: “Mas hoje você se sente bem?”
M1TO: “Hoje (enfatizando) eu me sinto muito bem.”
GP: “Obrigado, Rogério. Só mais uma coisa: queria te agradecer, de verdade, por tudo que você já fez pelo São Paulo. Obrigado mesmo, de coração!”
M1TO (já dois passos a minha frente, sendo cercado por jornalistas, vira para mim e, atenciosamente, responde): “Que isso… Imagina!”
Pode parecer pouco, mas, honestamente, tudo na minha vida já valeu apenas por esses 15 ou 20 segundos. Para mim (que apesar de já ter tido o prazer de encontrá-lo por três vezes e ter entrado em campo com ele, em 01/2/2004, no Ulrico Mursa, estádio da Portuguesa Santista) foi algo único. Um sonho realizado.

Foto: Fábio Machado/SPFC1935

Entrevista com Peixinho
Já indo embora, pude entrevistar o Peixinho. Uma pessoa muito humilde e mais que simpática, que me atendeu da melhor forma possível. No momento, não tenho como passar nem o áudio nem as minhas fotos para o computador, mas assim que possível colocarei aqui, nesse espaço e nessa coluna, uma rápida, mas muito bacana, entrevista com o autor do primeiro gol da história do Morumbi.

E essa foi uma terça-feira marcante para a cidade de São Paulo, para o São Paulo Futebol Clube, para o SPFC1935 e para mim. O evento foi lindo e muito bem organizado. É importante que todos os São-Paulinos tenham consciência da importância desse dia. Repito: dia histórico! Realização de um sonho antigo do clube. Evento grande, personagens importantes, projeto bonito, audacioso e marcante… tudo isso para o Maior do Mundo, pois ele merece.

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