O controverso Dodô

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O artilheiro dos gols bonitos. Assim Ricardo Lucas, ou simplesmente Dodô era conhecido. Hoje, já um ex-jogador. Não foi feliz nos últimos anos de carreira, encerrada no fim do ano passado quando defendia o Guaratinguetá-SP.

Mas não estou aqui pra falar do Dodô rival, e sim do Dodô enquanto defendia as cores do São Paulo.

Chegou com 21 anos vindo do Fluminense em 1995. Jogava pouco, tinha a forte concorrência de Amarildo, Bentinho, Aílton e Almir. Foi emprestado em 1996 para o Paraná Clube onde foi campeão paranaense, mas participando pouco.

Voltou ao São Paulo para o Campeonato Brasileiro de 1996 já mais experiente, mas ainda não conseguindo a vaga de titular, que na época era de Valdir Bigode (AQUEEEELE!!!) e Muller, mas já figurava entre os reservas, junto com seu futuro companheiro França.

Vem o ano de 1997, já sem a concorrência de antes, Dodô assume a camisa 10 do time e desanda a fazer gols. Gol de cabeça, de falta, de canhota, de direita. E junto com ele, quem se destacava era o colombiano Victor Hugo Aristizábal, que estava no São Paulo desde 1996.

Os dois formavam uma das duplas mais entrosadas do Brasil. Se Dodô fizesse gol, certeza que o passe seria de Aristizábal. Se Aristizábal tivesse marcado, você voltaria o lance e veria o passe de Dodô. Entrosamento perfeito, coisa rara de se e que hoje em dia, vemos Lucas e Luis Fabiano, com a boa intromissão de Jadson, fazendo esse papel.

Durante esse ano de 1997 virá na memória dos torcedores os 5 gols contra o Cruzeiro, dentro da casa dos caras. Os 5 gols na vitória de 7×1 pra cima do União São João de Araras ou os 3 gols pra cima do Juventus da Rua Javari pelo Paulistão daquele ano.


 Mas durante o ano teve muito mais. Torneio Rio-São Paulo, Paulistão, Brasileirão. E aproveitando a boa fase, convocado para 5 amistosos da Seleção Brasileira, teve a grande atuação contra o Equador, quando marcou 2, dos 4 gols da Seleção.

Tudo isso em 1997.

Nos dias de hoje, seria a glória de qualquer jogador. Talvez um feito atingido por Neymar.

Ao todo em 1997 Dodô marcou 46 gols pelo São Paulo (mais 2 pela Seleção Brasileira), marca expressiva na época.

Porém, o ano de 1997 fica marcado para o São Paulo pelas perdas dos títulos do Rio-São Paulo, Paulistão (para o Corinthians), péssima campanha no Brasileirão e perda da Supercopa da Libertadores, num dos jogos mais roubados da história do futebol contra o River Plate (onde Dodô marcou um gol, mas o River venceu por 2×1 e levou a taça).

No fim de 1997 ficou essa marca. Dodô sorria pelos seus feitos, mas parecia não estar nem aí para o time.

No meu conceito, se a eleição de melhor do mundo em 1997 tivesse sido realizada no fim do ano (era realizada ao fim da temporada européia) Dodô estaria entre os 5 melhores, fácil.
Relembrando, os 5 melhores pela FIFA em 1997 foram: Ronaldo, Roberto Carlos, Bergkamp, Zidane e Raúl.
Ronaldo, sem sombra de dúvidas seria eleito, como foi, estava numa fase esplendorosa, mas encaixaria Dodô, Edmundo e Salas tranquilamente nessa lista, justamente com Zinedine Zidane, outro monstro.

Essa é a parte da coluna que vocês leêm e me chamam de louco, mas vamos lá…

Entre o fim de 1997 e e o começo de 1998, Barcelona e Internazionale quiseram levá-lo embora, mas a fase era tão espetacular que a diretoria não quis vendê-lo, já que já tinha liberado o Denílson para o Bétis.

Ah se arrependimento matasse…

Veio 1998 e Dodô começou sendo artilheiro do Torneio-Rio São Paulo, mais um título perdido, dessa vez para o Botafogo de Bebeto. No Paulistão, bons jogos, muitos gols, mas na hora da decisão, na hora de vencer, Nelsinho Baptista teve uma luz de bom treinador e sacou Dodô do time pra entrada do Raí. A história todo mundo já sabe. Da reserva, Dodô levanta seu primeiro e único título pelo São Paulo.

A essa altura, Aristizábal já amargava o banco de reservas e Dodô tinha um novo companheiro de ataque, França.

Durante o resto do ano de 1998, alguns bons jogos, continuava como titular, mas a fase já não era mais a mesma. Os gols escassaram e a torcida começava a pegar no pé.

Péssima colocação no Brasileirão de 1998, muito devido a má fase de Dodô e á lesão sofrida por Raí.

Acabando 1998, Dodô já não era a estrela do time, inclusive frequentando muito o banco de reservas. Tinha perdido espaço pra Rogério Ceni, França, Raí, Serginho e até mesmo Marcelinho Paraíba.

Lembra da frase “Ah se arrependimento matasse….” ?

O ano de 1999 é o ano para se lembrar dela.

São Paulo x Guarani pelo Campeonato Paulista é onde tudo acontece. Veja você mesmo:

Depois disso a vida de Dodô no São Paulo nunca mais foi a mesma. Andou em declínio, via Sandro Hiroshi, França, Warley e Edú fazeram gols e se desmotivou.

Até que surge o Santos oferecendo em troca Ânderson Lima. O São Paulo aceitou e Dodô nunca mais vestiu a camisa tricolor.

Uma curiosidade: as trocas envolvendo São Paulo e Santos são famosas. Primeiro em 1984, Zé Sérgio e Humberto sairam do São Paulo rumo a Baixada enquanto Pita, craque de bola subiu para o Morumbi. Agora mais recente, Rodrigo Souto e Arouca.

E assim termina a história de Dodô no São Paulo. Uma história de poderia ter sido diferente caso ele sorrise menos talvez. Se ele jogasse com mais vibração, mais raça, conquistando assim o torcedor são-paulino.

E pego o caso do Dodô como exemplo. Proposta ótima da  europa chegou, vende. Foi o que aconteceu com o Lucas. Não sabemos se ele será esse jogador espetacular lá na frente, no amanhã. Mas hoje tivemos a proposta do PSG, então foi bem vendido.

Sei que muita gente não gosta do Dodô, como eu também tenho e tive muitas restrições ao futebol dele, mas ele não deixa de estar marcado para mim como por ter participado de uma das melhoras duplas de ataque que eu vi no Morumbi: Dodô e Aristizábal.

Um grande abraço torcedor tricolor.

Renan Lopes Leite

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